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24.6.14

Tony Bellotto: "A Zelite Branca"

O seguinte texto fez parte da espirituosa coluna de Tony Bellotto intitulada "A Zelite Branca e outras histórias", publicada no domingo, 22 de junho do corrente, no Segundo Caderno do Jornal O Globo.




A Zelite Branca

A Zelite Branca é uma sociedade secreta brasileira mais ou menos equivalente à Klu Klux Klan norte-americana. A odiosa Zelite Branca adora xingar oprimidos em geral e mulheres negras, pobres e exploradas em particular, principalmente as oriundas de classes baixas e desassistidas, como Marta Suplicy e Dilma Rousseff. A expressão maior da Zelite Branca é o juiz Joaquim Barbosa, branco elitista, nascido em família rica e abastada, descendente direto da nobreza imperial. Como dizem negros pobres referindo-se a Michael Jackson, fazendo valer a cota de retaliação histórica que lhes é permitida por tantos anos de opressão: branco rico é foda, quando não caga na entrada, caga na saída.


8.3.14

Ministro Joaquim Barbosa sobre o Brasil


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Na seção de sexta dia 13/09/13 o ministro Joaquim Barbosa presidente do supremo tribunal federal
rasgou a Constituição Brasileira na frente de vários colegas do Supremo e afirmou:
Somos o único caso de democracia no mundo em que condenados por corrupção legislam contra os juízes que os condenaram. Somos o único caso de democracia no mundo em que as decisões do Supremo Tribunal podem ser mudadas por condenados. Somos o único caso de democracia no mundo em que deputados, após condenados, assumem cargos e afrontam o judiciário.Somos o único caso de democracia no mundo em que é possível que, condenados, façam seus habeas corpus, ou legislem para mudar a lei e serem libertos.

Ministro Joaquim Barbosa

14.10.12

Zuenir Ventura: "Crime e castigo"





Creio que o seguinte artigo de Zuenir Ventura, publicado em O Globo no dia 13 do corrente, é o mais equilibrado e correto dos muitos que li sobre o julgamento do "mensalão":


Crime e castigo


Com sua serena lucidez, a ministra Cármen Lúcia fez uma ressalva ao votar pela condenação de José Genoino e José Dirceu: "Não estou julgando a história de pessoas que em diversas ocasiões tiveram a vida reta. Estou julgando os fatos apresentados nestes autos." O mesmo poderia ser dito em relação ao PT, cuja trajetória até estourar o escândalo do mensalão foi também reta. Não são os princípios programáticos do Partido dos Trabalhares que estão sendo condenados pelo STF, "não é a história, mas os fatos", como também afirmou o decano Celso de Mello. O que se condena é um acidente grave de percurso, um mau passo, um enorme desvio de conduta. Em reunião com seu Ministério no dia 12 de agosto de 2005, Lula, chocado com as revelações sobre dirigentes do partido, desabafou: "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis sobre as quais eu não tinha qualquer conhecimento. Não tenho nenhuma vergonha de dizer que nós temos de pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas. O governo, onde errou, precisa pedir desculpas."

Por que não pedir agora? Por que o Lula de 2012 reage ao julgamento mandando seus companheiros receberem o castigo de "cabeça erguida", como se houvesse algum motivo para soberba? Seria tão mais honesto, tão mais coerente com as origens éticas do partido se, em vez de desqualificar o trabalho do Supremo com suspeitas infundadas e se, em lugar de responsabilizar a mídia, os réus mensaleiros aceitassem o revés com humildade e fizessem uma corajosa autocrítica como pedia Lula sete anos atrás.

Como dirigentes partidários ousam suspeitar da isenção de uma Corte cujos membros em sua maioria foram indicados por Lula e Dilma e que, portanto, não têm qualquer razão para lhes ser deliberadamente hostis? Que interesses levariam esses juízes a sacrificar suas reputações para "condenar sem provas"? Como colocar em dúvida a correção de um personagem como Joaquim Barbosa, que pode ter um temperamento difícil, mas cuja opção política é conhecida (há dias, ele confessou em entrevista ter votado três vezes em Lula, sem arrependimento, porque "as mudanças e avanços no Brasil nos últimos dez anos são inegáveis").

Os petistas acreditam ter motivos de queixa pelo rigor inédito do STF, que, espera-se, não seja de exceção, aplicado apenas nesse caso. Mas, ao se recusar a assumir a culpa que lhe cabe, o PT perdeu a oportunidade histórica de ser diferente também no erro, como foi um dia nos acertos.

Zuenir Ventura