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26.10.21

Konstantinos Kaváfis: "Iwnikon" / "Iônica"

 



Iônica


Esmigalhamos – em verdade – suas estátuas,

os expulsamos – em verdade – dos santuários,

porém dos deuses – nem por isso – pereceram.

Eles, os deuses, Terra Iônica, ainda te adoram,

no íntimo, sua psiquê ainda te rememora.

Quando a manhã de agosto sobre ti alvora,

a vida deles deixa, na atmosfera, um sopro,

e uma figura etérea, um exsurgir de efebo,

como se evanescente no seu passo leve,

vela obre ti, no alto da colina, às vezes.





Iwnikon


Γιατί τα σπάσαμε τ’ αγάλματά των

γιατί τους διώξαμεν απ’ τους ναούς των,

διόλου δεν πέθαναν γι’ αυτό οι θεοί.

Ω γη της Ιωνίας, σένα αγαπούν ακόμη,

σένα η ψυχές των ενθυμούνται ακόμη.

Σαν ξημερώνει επάνω σου πρωί αυγουστιάτικο

την ατμοσφαίρα σου περνά σφρίγος απ’ την ζωή των·

και κάποτ’ αιθερία εφηβική μορφή,

αόριστη, με διάβα γρήγορο,

επάνω από τους λόφους σου περνά.





CAVÁFIS, Constantinos. "Iwnikon" / "Iônica". In: Konstantinos Haroldo Kaváfis de Campos. Poemas de Konstantinos Kaváfis; trad. de Haroldo de Campos. São Paulo: Cosac Naify, 2012.



18.2.21

Constantinos Caváfis: "Desfecho": trad. por José Paulo Paes

 



Desfecho


No meio de temores e receios,

com olhos pávidos, com mente perturbada,

buscamos até a exaustão um plano que pudesse

nos pôr a salvo do real

perigo que tão sinistramente nos rondava.

Enganamo-nos, porém, não está a caminho:

eram falsas as notícias

(ou não ouvimos bem ou não as compreendemos).

Outro desastre, que nem imaginávamos,

cai de repente, torrencial, por sobre nós,

despreparados — já não há mais tempo — e leva-nos.







CAVÁFIS, Constantinos. "Desfecho". In: PAES, José Paulo (org. e trad.). Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

22.9.20

Constantinos Caváfis: "Εν τη οδώ" / "Na rua": trad. por Ísis Borges da Fonseca

 


Na rua


Seu simpático rosto, um pouco pálido;

seus olhos castanhos, como que fatigados;

vinte e cinco anos, contudo tem mais a aparência de vinte;

com algo de artístico em seu modo de trajar

– certa cor da gravata, certa forma do colarinho – 

anda a esmo pela rua

como que hipnotizado ainda pela volúpia ilícita,

pela volúpia sobremaneira ilícita que desfrutou.








Εν τη οδώ


Το συμπαθητικό του πρόσωπο, κομμάτι ωχρό·

τα καστανά του μάτια, σαν κομένα·

είκοσι πέντ' ετών, πλην μοιάζει μάλλον είκοσι·

με κάτι καλλιτεχνικό στο ντύσιμό του

- τίποτε χρώμα της κραβάτας, σχήμα του κολλάρου -

ασκόπως περπατεί μες στην οδό,

ακόμη σαν υπνωτισμένος απ' την άνομη ηδονή,

από την πολύ άνομη ηδονή που απέκτησε.







CAVÁFIS, Constantinos. "Εν τη οδώ" / "Na rua". In:_____. Poemas de K. Kaváfis. Org. e trad. por Ísis Bórges da Fonseca. São Paulo: Odysseus Editora, 2006.

15.8.20

Caváfis: "Η αρχή των" / "Seu começo"




Seu começo

A satisfação de seu prazer ilícito
efetuou-se. Levantaram-se do leito,
e vestem-se às pressas, sem falar.
Saem em separado, furtivamente, da casa; e como
caminham um tanto apreensivos na rua, parecem
suspeitar que alguma coisa neles trai
em que espécie de leito há pouco se deitaram.

Mas como ganhou a vida do artista!
Amanhã, depois de amanhã ou após anos, serão escritos
os vigorosos versos cujo começo aqui ocorreu.





Η αρχή των

Η εκπλήρωσις της έκνομής των ηδονής
έγινεν. Απ’ το στρώμα σηκωθήκαν,
και βιαστικά ντύνονται χωρίς να μιλούν.
Βγαίνουνε χωριστά, κρυφά απ’ το σπίτι· και καθώς
βαδίζουνε κάπως ανήσυχα στον δρόμο, μοιάζει
σαν να υποψιάζονται που κάτι επάνω των προδίδει
σε τί είδους κλίνην έπεσαν προ ολίγου.

Πλην του τεχνίτου πώς εκέρδισε η ζωή.
Αύριο, μεθαύριο, ή με τα χρόνια θα γραφούν
οι στίχ’ οι δυνατοί που εδώ ήταν η αρχή των.




CAVÁFIS, Constantinos. "Η αρχή των" / "Seu começo". In:_____. Poemas de K. Kaváfis. Trad. de Isis Borges Belchior da Fonseca. São Paulo: Odysseus Editora, 2006.

21.5.20

Constantinos Caváfis: "Coisas pintadas": trad. de Ísis Borges da Fonseca





Coisas pintadas


Por meu trabalho zelo, e a ele quero bem.
Mas a lentidão da composição hoje me desanima.
O dia influiu sobre mim. Seu aspecto
torna-se continuamente sombrio. Sem cessar venta e chove. Mais desejo olhar que falar.
Nesta pintura vejo agora
um belo rapaz que, perto da fonte,
se estendeu, depois de ter-se cansado talvez de correr.
Que belo menino! Que divino meio-dia
já o arrebatou para adormecê-lo! -
Fico a olhar assim por muito tempo.
E, dentro da arte novamente, descanso de sua labuta.






CAVÁFIS, Constantinos. "Coisas pintadas". In:_____. Poemas de K. Kavávis. Trad. de Ísis Borges da Fonseca. São Paulo: Odysseus Editora, 2006.

19.12.19

Constantinos Caváfis: "O quanto possas": trad. de José Paulo Paes




O quanto possas


Se não podes afeiçoar tua vida como queres,
deves ao menos tentar, o quanto
possas, isto: não a rebaixes
no excessivo comércio do mundo,
no excesso de palavras e de gestos.

Não a rebaixes levando-a para dar
passeios, exibindo-a o tempo todo
nas reuniões e comemorações
em que a tolice diária se compraz,
até fazeres dela uma estranha importuna.




CAVÁFIS, Constantinos. "O quanto possas". In: PAES, José Paulo (org e trad.). Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

10.3.19

Constatinos Caváfis: "O primeiro degrau"




O primeiro degrau

Foi a Teócrito queixar-se um dia
Eumene, poeta ainda jovem:
“Faz dois anos que escrevo e até agora
compus apenas um idílio.
Esse, o meu único trabalho pronto.
Pobre de mim! Pelo que vejo, é alta,
deveras alta, a escada da Poesia.
Estou no primeiro degrau: jamais,
infeliz que sou, chegarei ao topo.”
“Essas palavras”, respondeu Teócrito,
“são um despropósito, blasfêmias.
Se estás no primeiro degrau, cumpria
te sentires feliz e envaidecido.
Chegar onde chegaste não é pouco,
nem é pequena glória o que fizeste.
Do primeiro degrau da mesma escada
está bem distante o comum das pessoas.
Para pisar esse degrau de ingresso,
necessário é que sejas, por direito,
cidadão da cidade das ideias –
um título difícil: raramente
fazem-se ali naturalizações.
De quantos na sua ágora legislam,
aventureiro algum pode zombar.
Chegar onde chegaste não é pouco,
nem é pequena glória o que fizeste.”





KAVÁFIS, K. "O primeiro degrau". In: PAES, José Paulo (org. e trad.). Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.



19.1.18

Constantinos Caváfis: "Desde as nove": trad. José Paulo Paes



Desde as nove

Nove e vinte. Passou depressa o tempo
desde as nove, quando acendi a lâmpada
e me sentei aqui. Fiquei sentado sem ler
e sem falar. Com quem falar
se estou sozinho nesta casa?

A imagem do meu corpo jovem,
desde as nove, quando acendi a lâmpada,
veio rondar-me, veio me lembrar
de quartos fechados cheios de perfume
e de prazeres idos – que prazeres audazes!
Pôs-me também diante dos olhos
ruas que ora se me tornaram estranhas,
locais cheios de rumor que se findaram,
e cafés e teatros que existiram outrora.

A imagem do meu corpo jovem
veio rondar-me, trazer-me coisas tristes:
lutos de família, afastamentos,
as saudades dos meus, saudades
de mortos tão pouco lamentados.

Meia-noite e meia. Como o tempo passsa.
Meia-noite e meia. Como passam os anos.




CAVÁFIS, Constantinos. "Desde as nove". In: PAES, José Paulo (org. e trad.). Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1986.

10.6.16

Konstatinos Kaváfis: "Melancolia de Jasão de Cleandro, poeta em Comagene, 595 d.C.": trad. de Haroldo de Campos




Melancolia de Jasão de Cleandro, poeta em Comagene, 595 d.C.

Meu corpo, minhas feições envelhecem:
ferida de pavoroso punhal.
Suportá-la? Não sei como! Não tenho forças para suportá-la.
A ti recorro, Arte da Poesia,
para ti me volto,
que tens noções de fármacos e analgésicos,
tentando narcotizar essa dor
em fantasia e palavra.

Ferida de pavoroso punhal.
Favorece-me com teus fármacos, Arte
da Poesia, que fazem – por um
átimo – insensível a ferida.



CAVÁFIS, Constantinos. "Melancolia de Jasão de Cleandro, poeta em Comagene". Trad. de Haroldo de Cmapos. In:_____. Poemas de Konstantinos Kaváfis. Tradução: Haroldo de Campos. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

7.5.15

Constantinos Caváfis: "Jônica": trad: José Paulo Paes





Jônica

Embora quebrássemos as estátuas,
embora os baníssemos de seus templos,
os deuses absolutamente não morreram.
Oh terra da Jônia, eles te amam ainda,
as suas almas te recordam ainda.
Quando, por sobre ti, alvorece a manhã de agosto,
o frêmito da vida deles te anima a atmosfera
e por vezes uma sombra etérea de efebo,
indistinta, a passo rápido,
percorre o cimo das tuas colinas.


CAVÁFIS, Constantinos. "Jônica". In: PAES, José Paulo (org.). Poesia moderna da Grécia.Rio de Janeiro, Ed. Guanabara, 1986.

9.8.14

Constatinos Caváfis: "Che fece... Il Gran Rifiuto": trad. José Paulo Paes





Che fece... Il Gran Rifiuto

Para alguns homens, chega o dia finalmente
em que é necessário o grande Sim ou o grande Não
dizer. Percebe-se quem trazia, nessa ocasião,
o Sim já pronto dentro de si, e dizendo-o sente

seu valor aumentado, sua confiança crescida.
Não se arrepende quem diz não. Di-lo-ia outra vez
se lho perguntassem, embora saiba o mal que fez
aquele não — por mais justo que fosse — à sua vida.



CAVÁFIS, Constatinos. "Che fece... Il gran rifiuto". Trad. por José Paulo Paes. In: PAES, José Paulo. Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. 

11.10.12

Constantinos Caváfis: O espelho da entrada / trad. José Paulo Paes





O espelho da entrada


À entrada da mansão
havia um grande espelho muito antigo,
comprado pelo menos há mais de oitenta anos.

Um rapaz belíssimo, empregado de alfaiate
(e nos domingos atleta diletante)
estava ali com um pacote.

Deu-o a alguém da casa, que o levou para dentro
com o recibo. O empregado do alfaiate
ficou sozinho, à espera.

Acercou-se do espelho e mirou-se
para ajeitar a gravata. Após cinco minutos,
trouxeram-lhe o recibo e ele se foi.

Mas o antigo espelho, que vira e revira
nos seus longos anos de existência
coisas e rostos aos milhares;
mas o antigo espelho agora se alegrava
e exultava de haver mostrado sobre si
por um instante a beleza culminante.



CAVÁFIS, Constantinos. In: PAES, José Paulo (org. e trad.). Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986

11.4.12

Constantinos Caváfis: "Volta" / trad. de José Paulo Paes




Volta

Volta outras vezes e domina-me,
frêmito amado, volta outras vezes e domina-me --
quando a memória do corpo despertar,
quando ao sangue retornar o desejo de outrora
e os lábios e a pele lembrarem e as mãos
sentirem-se como que tocadas de novo.

Volta outras vezes e domina-me, quando a noite
fizer com que os lábios e a pele se lembrem.



PAES, José Paulo (org.: seleção, tradução direta do grego, prefácio, textos críticos e notas) Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

12.2.11

Constantinos Caváfis: "Ιθάκη" / "Ítaca": trad. de Ísis Borges da Fonseca




Por sugestão do Aetano, publico "Ítaca", de Caváfis. A tadução é de Ísis Borges da Fonseca.




Ìtaca

Quando partires em viagem para Ítaca
faz votos para que seja longo o caminho,
pleno de aventuras, pleno de conhecimentos.
Os Lestrigões e os Ciclopes,
o feroz Poseidon, não os temas,
tais seres em teu caminho jamais encontrarás,
se teu pensamento é elevado, se rara
emoção aflora teu espírito e teu corpo.
Os Lestrigões e os Ciclopes,
o irascível Poseidon, não os encontrarás,
se não os levas em tua alma,
se tua alma não os ergue diante de ti.

Faz votos de que seja longo o caminho.
Que numerosas sejam as manhãs estivais,
nas quais, com que prazer, com que alegria,
entrarás em portos vistos pela primeira vez;
pára em mercados fenícios
e adquire as belas mercadorias,
nácares e corais, âmbares e ébanos
e perfumes voluptuosos de toda espécie,
e a maior quantidade possível de voluptuosos
                                        perfumes;
vai a numerosas cidades egípcias,
aprende, aprende sem cessar dos instruídos.

Guarda sempre Ítaca em teu pensamento.
É teu destino aí chegar.
Mas não apresses absolutamente tua viagem.
É melhor que dure muitos anos
e que, já velho, ancores na ilha,
rico com tudo que ganhaste no caminho,
sem esperar que Ítaca te dê riqueza.
Ítaca deu-te a bela viagem.
Sem ela não te porias a caminho.
Nada mais tem a dar-te.

Embora a encontres pobre, Ítaca não te
                                        enganou.
Sábio assim como te tornaste, com tanta
                                        experiência,
já deves ter compreendido o que significam as
                                        Ítacas.



Ιθάκη

Σα βγεις στον πηγαιμό για την Ιθάκη,
να εύχεσαι νάναι μακρύς ο δρόμος,
γεμάτος περιπέτειες, γεμάτος γνώσεις.
Τους Λαιστρυγόνας και τους Κύκλωπας,
τον θυμωμένο Ποσειδώνα μη φοβάσαι,
τέτοια στον δρόμο σου ποτέ σου δεν θα βρεις,
αν μεν' η σκέψις σου υψηλή, αν εκλεκτή
συγκίνησις το πνεύμα και το σώμα σου αγγίζει.
Τους Λαιστρυγόνας και τους Κύκλωπας,
τον άγριο Ποσειδώνα δεν θα συναντήσεις,
αν δεν τους κουβανείς μες στην ψυχή σου,
αν η ψυχή σου δεν τους στήνει εμπρός σου.
Να εύχεσαι νάναι μακρύς ο δρόμος.
Πολλά τα καλοκαιρινά πρωϊά να είναι
που με τι ευχαρίστησι, με τι χαρά
θα μπαίνεις σε λιμένας πρωτοειδωμένους,
να σταματήσεις σ' εμπορεία Φοινικικά,
και τες καλές πραγμάτειες ν' αποκτήσεις,
σεντέφια και κοράλλια, κεχριμπάρια κ' έβενους,
και ηδονικά μυρωδικά κάθε λογής,
όσο μπορείς πιο άφθονα ηδονικά μυρωδικά,
σε πόλεις Αιγυπτιακές πολλές να πας,
να μάθεις και να μάθεις απ' τους σπουδασμένους.
Πάντα στον νου σου νάχεις την Ιθάκη.
Το φθάσιμον εκεί ειν' ο προορισμός σου.
Αλλά μη βιάζεις το ταξείδι διόλου.
Καλλίτερα χρόνια πολλά να διαρκέσει
και γέρος πια ν' αράξεις στο νησί,
πλούσιος με όσα κέρδισες στο δρόμο,
μη προσδοκώντας πλούτη να σε δώσει η Ιθάκη.
Η Ιθάκη σ'έδωσε τ' ωραίο ταξείδι.
Χωρίς αυτήν δεν θάβγαινες στον δρόμο.
Άλλα δεν έχει να σε δώσει πια.
Κι αν πτωχική την βρεις, η Ιθάκη δε σε γέλασε.
Έτσι σοφός που έγινες, με τόση πείρα,
ήδη θα το κατάλαβες οι Ιθάκες τι σημαίνουν.


KAVÁFIS, Konstantinos. Poemas de K. Kaváfis. Tradução de Ísis Borges da Fonseca. São Paulo: Odysseus Editora, 2006.

1.2.10

Constantinos Caváfis: "Θυμήσου, σώμα" / "Lembra, corpo": trad. de Ísis Borges da Fonseca




Lembra, corpo

Corpo, lembra não só quanto foste amado,
não somente os leitos em que deitaste,
mas também aqueles desejos que por ti
brilhavam nos olhos claramente,
e que tremiam na voz – e que algum
obstáculo fortuito frustrou.
Agora que tudo já está no passado,
parece, quase, que àqueles desejos também
tu te entregaste – como eles brilhavam,
lembra, nos olhos que te contemplavam;
como tremiam na voz, por ti, lembra, corpo.



Θυμήσου, σώμα

Σώμα, θυμήσου όχι μόνο το πόσο αγαπήθηκες,
όχι μονάχα τα κρεββάτια όπου πλάγιασες,
αλλά κ' εκείνες τες επιθυμίες που για σένα
γυάλιζαν μες στα μάτια φανερά,
κ' ετρέμανε μες στη φωνή -- και κάποιο
τυχαίον εμπόδιο τες ματαίωσε.
Τώρα που είναι όλα πια μέσα στο παρελθόν,
μοιάζει σχεδόν και στες επιθυμίες
εκείνες σαν να δόθηκες -- πώς γυάλιζαν,
θυμήσου, μες στα μάτια που σε κύτταζαν·
πώς έτρεμαν μες στη φωνή, για σε, θυμήσου, σώμα.



CAVÁFIS, Constantinos. Poemas de K. Kaváfis. Tradução de Ísis Borges da Fonseca. São Paulo: Odysseus, 2006.

12.6.09

Constatinos Cavafis: "Οταν διεγείρονται" / "Quando despertam": tradução de Ísis Borges da Fonseca

.



Quando despertam

Esforça-te em guardá-las, poeta,
por menos numerosas que sejam as que se detêm.
As visões de teu erotismo.
Põe-nas, meio ocultas, em tuas frases.
Esforça-te em guardá-las, poeta,
quando despertam em teu cérebro,
na noite ou no fulgor do meio-dia.



Οταν διεγείρονται

Προσπάθησε να τα φυλάξεις, ποιητή,
όσο κι αν είναι λίγα αυτά που σταματιούνται.
Του ερωτισμού σου τα οράματα.
Βαλ'τα, μισοκρυμένα, μες τες φράσεις σου.
Προσπάθησε να τα κρατήσεις, ποιητή,
όταν διεγείρονται μες το μυαλό σου
την νύχτα ή μες την λάμψι του μεσημεριού.



DE: KAVÁFIS, K. Poemas de K. Kaváfis. Tradução de Ísis Borges da Fonseca. São Paulo: Odysseus, 2006.

4.4.09

Constantinos Caváfis: "Μακρυά" / "Longe" (tradução de Ísis Borges da Fonseca)

.


Longe

Quisera referir essa lembrança...
Mas já se apagou tanto... visto que nada se mantém --
pois longe, nos primeiros anos de minha adolescência, ela jaz.

Uma pele como feita de jasmim...
Aquela noite de agosto -- era agosto? -- aquela noite...
Mal me lembro agora dos olhos -- eram, creio, azuis...
Ah! sim, azuis: um azul de safira.



Μακρυά
Θάθελα αυτήν την μνήμη να την πω...
Μα έτσι εσβύσθη πια... σαν τίποτε δεν απομένει —
γιατί μακρυά, στα πρώτα εφηβικά μου χρόνια κείται.

Δέρμα σαν καμωμένο από ιασεμί...
Εκείνη του Aυγούστου — Aύγουστος ήταν; — η βραδυά...
Μόλις θυμούμαι πια τα μάτια• ήσαν, θαρρώ, μαβιά...
A ναι, μαβιά• ένα σαπφείρινο μαβί.



De: KAVÁFIS, Konstantinos. Poemas de K. Kaváfis. Tradução, estudo e notas de Ísis Borges da Fonseca. São Paulo: Odysseus, 2006.

25.10.08

Constantinos Caváfis: "Desejos", traduzido por Ísis Borges da Fonseca







De: KAVÁFIS, K. Poemas de K. Kaváfis. Tradução, estudo e notas de Ísis Borges da Fonseca. São Paulo: Odysseus, 2006.