Mostrando postagens com marcador Duda Machado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Duda Machado. Mostrar todas as postagens

7.7.19

Duda Machado: "Poema 1922"




Poema 1922


o maluco irrompeu
nu na igreja
tirou o santo do altar
se aninhou no nicho

e entrou em êxtase
foi um auê geral
mas uma das beatas
não notou nada





MACHADO, Duda. "Poema 1922". In:_____. Crescente. São Paulo: Duas Cidades, 1990.

6.11.18

Duda Machado: "De vez"



De vez


pôr de vez
uma pedra
sobre a palavra
perda

perder
a pedra

perder

perder
de uma vez

de uma vez

de uma vez
o quê?




MACHADO, Duda. "De vez". In:_____. Crescente. São Paulo: Duas Cidades, 1990.

13.2.15

Duda Machado: "Percurso"





Percurso


Em cada ser, repara
a dança
que, na sombra, prepara a
mudança

Em tudo quanto muda,
alcança
aquilo que não muda na
mudança.



MACHADO, Duda. Crescente (1977-1990). São Paulo: Duas Cidades, 1990.

27.9.13

Duda Machado: "Imitação das coisas"





Duda Machado:

Imitação das coisas

Vamos, dedique-se por inteiro
às aparências, às coisas propriamente
ditas. Procure frequentá-las,
trazê-las para dentro de si mesmo,
incorporá-las dia a dia,
a cada instante,
por mais irrisório/absurdo que pareça.

Pode ser, no entanto, que você
não resista o tempo todo
e, de vez em quando, se afaste
da consistência das coisas
e se deixe levar
pelo hábito de transformá-las
em encantamento ou profundidade.

Não se perturbe. Ao persistir,
voltaremos mais uma vez a elas,
imperfeitos e concentrados
- como no amor -, decididos
a alcançá-las, embora adivinhando,
e já pouco importa, que ainda
não estamos preparados.




MACHADO, Duda. Margem de uma onda. São Paulo: Editora 34, 1997.

6.7.11

Duda Machado: "Ecce"





ECCE


não sou
o que
nem
o quem
do que
digo

em suma:
poeta
o sumo
mendigo


MACHADO, Duda. Crescente (1977-1990). São Paulo: Duas Cidades; Secretaria de Estado da Cultura, 1990.

29.4.11

Duda Machado: "Imitação das coisas"




Duda Machado

Imitação das coisas

Vamos, dedique-se por inteiro
às aparências, às coisas propriamente
ditas. Procure frequentá-las,
trazê-las para dentro de si mesmo,
incorporá-las dia a dia,
a cada instante,
por mais irrisório/absurdo que pareça.

Pode ser, no entanto, que você
não resista o tempo todo
e, de vez em quando, se afaste
da consistência das coisas
e se deixe levar
pelo hábito de transformá-las
em encantamento ou profundidade.

Não se perturbe. Ao persistir,
voltaremos mais uma vez a elas,
imperfeitos e concentrados
- como no amor -, decididos
a alcançá-las, embora adivinhando,
e já pouco importa, que ainda
não estamos preparados.



MACHADO, Duda. Margem de uma onda. São Paulo: Editora 34, 1997.

29.7.09

Duda Machado: "A um apostador"

.


A um apostador


pra mim

o páreo
é dentro

corro
por fora

(aéreo,
atento)

e fim.



MACHADO, Duda "Um outro". In: Crescente. São Paulo: Duas Cidades, 1990.

27.8.08

Duda Machado: "para trás para nunca mais"





De: Duda Machado. “Zil”. In: Crescente (177-1990). São Paulo: Duas Cidades: Secretaria de Estado da Cultura, 1990.