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10.11.14

12.12.10

Lançamento do Livro de sombras de Luciano Figueiredo



O Livro de sombras -- pintura, cinema e poesia --, de Luciano Figueiredo, com poema de Antonio Cicero, organizado por Katia Maciel e André Parente, será lançado na Livraria Argumento do Leblon, na Rua Dias Ferreira, 417, às 19h do dia 14 de dezembro.

6.9.09

Vladimir Jankélévitch: sobre o tempo




O tempo revela o charme das coisas sem charme. É por isso que o tempo é poeta. Só os
poetas e pintores são capazes de conhecer de imediato o charme do presente. [...] Utrillo [1883-1955] pintava um poste ou um muro num subúrbio sórdido... e isso fazia sonhar. O que os poetas e pintores sabem traduzir no presente, o tempo o traduz para nós que não somos nem pintores nem poetas. É o tempo que é poeta para nós".



JANKÉLÉVITCH, Vladimir. Citado por: VIANNA, Hermano. "O mercado da desconfiança". Folha de São Paulo, caderno "Mais", São Paulo, 6 de setembro de 2009.

13.12.07

Sartre sobre a poesia

No texto seguinte, Sartre fala dos seguintes versos de Rimbaud:


O saisons, O châteaux!
Quelle âme est sans défaut ?

[Oh estações, oh castelos !
Que alma é sem defeito?]


Ninguém é interrogado; ninguém interroga: o poeta está ausente. E a interrogação não comporta resposta ou antes ela é sua própria resposta. Será uma falsa interrogação? Mas seria absurdo crer que Rimbaud tenha querido dizer “todo o mundo tem defeitos”. Como dizia Breton de Saint-Pol-Roux, “se tivesse querido dizê-lo, tê-lo-ia feito”. E tampouco quis dizer outra coisa. Fez uma interrogação absoluta; conferiu à palavra alma uma existência interrogativa. Eis a interrogação transformada em coisa, como a angústia do Tintoreto tornara-se céu amarelo. Não é mais uma significação, é uma substância; é vista de fora e Rimbaud nos convida a vê-la de dentro com ele, sua estranheza vem de que nos colocamos, para considerá-la, do outro lado da condição humana; do lado de Deus.


De: Qu'est-ce que la littérature? Paris: Gallimard, 1948, p.24.