Mostrando postagens com marcador George Gordon Byron. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador George Gordon Byron. Mostrar todas as postagens

9.3.21

Lord Byron: Poem 72 of Canto III of Childe Harold / "Poema 72 do Canto III de Childe Harold: trad. por Augusto de Campos

 


Do Canto III


                      72


Não vivo por mim mesmo. Sou só um

Elo do que me cerca, mas se a altura

Das montanhas enleva-me, o zum-zum

Das cidades humanas me tortura.

A criação só errou na criatura

Presa à carne, onde paro, relutante,

Buscando, libertada a alma pura,

Mesclar-me ao céu, aos montes, ao ondeante

Plaino do oceano, às estrelas, e ir adiante.







From Canto III



                          72



I live not in myself, but I become 

Portion of that around me; and to me 

High mountains are a feeling, but the hum 

Of human cities torture: I can see 

Nothing to loathe in nature, save to be 

A link reluctant in a fleshly chain, 

Class’d among creatures, when the soul can flee, 

And with the sky, the peak, the heaving plain 

Of ocean, or the stars, mingle, and not in vain. 








BYRON, George Gordon. "72 from Canto III of Chlde Harold" / "72 do Canto III de Childe Harold..In:_____. Entreversos. Trad. de Augusto de Campos. São Paulo: Unicamp, 2009.




25.3.17

George Gordon Byron: "Beppo: a Venetian story, XLIV" / "Beppo: uma história veneziana, XLIV": trad. Paulo Henriques Britto




XLIV

Adoro o italiano, esse latim
  Bastardo, doce e suave como um beijo,
Como se escrito em folhas de cetim,
  De sons tão musicais quanto um solfejo,
Sílabas líquidas do início ao fim,
  Tão diferentes desse gargarejo
Que lá no norte agride-nos o ouvido —
  Sibilado, anasalado e cuspido.


XLIV

I love the language, that soft bastard Latin,         
  Which melts like kisses from a female mouth,
And sounds as if it should be writ on satin,
  With syllables which breathe of the sweet South,
And gentle liquids gliding all so pat in,
  That not a single accent seems uncouth,         
Like our harsh northern whistling, grunting guttural,
  Which we’re obliged to hiss, and spit, and sputter all.




BYRON, George Gordon. "Beppo: a Venetian story" /"Beppo: uma história veneziana". In: Lord Byron. Beppo: uma história veneziana. Trad.: Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

10.9.15

George Gordon Byron: estrofe XIX de "Beppo: a Venetian story" / "Beppo: uma história veneziana": trad. Paulo Henriques Britto





XIX

Já viste uma gôndola, meu prezado
Leitor? Vou descrever – é coisa à toa:
Um barco negro, coberto, alongado,
Leve e compacto; tem de ferro a proa,
E é por dois remadores tripulado.
Mais parece um caixão numa canoa,
E dentro dele, o que se diga ou faça
Jamais é percebido por quem passa.



XIX

Didst ever see a Gondola? For fear
You should not, I'll describe it you exactly:
'Tis a long covered boat that's common here,
Carved at the prow, built lightly, but compactly,
Rowed by two rowers, each call'd "Gondolier,"
It glides along the water looking blackly,
Just like a coffin clapt in a canoe,
Where none can make out what you say or do.




BYRON, George Gordon. Estrofe XIX. Trad. de Paulo Henriques Britto. In:_____. Beppo: uma história veneziana. Trad. de Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.  

4.1.13

George Gordon Byron: Fragmento / Fragment: trad. de Augusto de Campos








Fragmento
Nas costas do manuscrito do Canto I de "Don Juan"

Tivesse eu tanto barro em mim pesado,
Quanto sangue, ossos, dor, nervos, paixão –
Ao menos o passado era passado –
E o futuro – (eu escrevo em confusão,
Tendo bebido tanto, que, coitado,
Penso pisar o teto em vez do chão)
O futuro não é questão de moda –
Então – Que diabo! – um viva ao vinho e à soda!




Fragment
On the back of the Poet’s MS. Of Canto I of "Don Juan"

I would to heaven that I were so much clay,
As I am blood, bone, marrow, passion, feeling -
Because at least the past were passed away -
And for the future - (but I write this reeling,
Having got drunk exceedingly today,
So that I seem to stand upon the ceiling)
I say - the future is a serious matter -
And so - for God's sake - hock and soda water!




BYRON, George Gordon. "Fragment on the back of the Poet's MS. of Canto I of 'Don Juan'" / "Fragmento nas costas do manuscrito do Canto I de 'Don Juan'". In: CAMPOS, Augusto de (trad. e org.). Byron e Keats. Entreversos. Campinas: Unicamp, 2009.



19.7.12

George Gordon Byron: de "Childe Harold": trad. de Augusto de Campos




113

O mundo eu não o amei, nem ele a mim;
Não bajulei seu ar vicioso, nem dobrei
Aos seus idólatras o joelho do sim. -
Meu rosto não abriu risos ao rei
Nem repetiu ecos; a turba, eu sei,
Não me inclui entre os seus. Vivi ao lado
Deles, porém sem ser da sua grei;
E à mortalha da sua mente atado
Estaria se não me houvesse precatado.


113

I have not loved the world, nor the world me;
I have not flatter'd its rank breath, nor bowed
To its idolatries a patient knee, --
Nor coined my cheek to smiles, nor cried aloud
In worship of an echo; in the crowd
They could not deem me one of such; I stood
Amongst them, but not of them; in a shroud
Of thoughts which were not their thoughts, and still could,
Had I not filed my mind, which thus itself subdued.



BYRON, George Gordon. "Childe Harold: From Canto III / Do canto III". In: CAMPOS, Augusto de (org. e trad.). Byron e Keats: Entreversos. Campinas: Unicamp, 2009.

1.6.12

George Gordon Byron: de "Childe Harold": trad. Augusto de Campos




114

I have not loved the world, nor the world me, –
But let us part fair foes; I do believe,
Though I have found them not, that there may be
Words which are things, – hopes which will not deceive,
And virtues which are merciful, or weave
Snares for the failing: I would also deem
O'er others’ griefs that some sincerely grieve;
That two, or one, are almost what they seem, –
That goodness is no name, and happiness no dream.



114

O mundo eu não amei, nem ele a mim –
Bons inimigos, vamos sem rancor.
Não as achei, mas creio que há, enfim,
Palavras que são coisas, vi a cor
Da esperança e cheguei mesmo a supor
Virtudes sem perjúrio ou falsidade;
Nos prantos dos demais vislumbro dor
Em dois ou três, e penso, de verdade,
Que o bem pode existir e assim felicidade.



BYRON, George Gordon. "Childe Harold -- Excertos". In: BYRON, George; KEATS, John. "Entreversos". Traduções de Augusto de Campos. Campinas: Editora UNICAMP, 2009.

12.12.09

George Gordon Byron: estrofe 17 do canto IX de "Don Juan": tradução de Augusto de Campos




Don Juan

Canto IX

17
Que sais-je?, esse mote de Montaigne
É uma verdade mais do que curial.
É duvidoso tudo o que se ganhe
Por mais que nos pareça natural,
Certeza não existe, tudo é vão e
Fugaz como é a condição mortal.
Tão pouco nós sabemos desta vida
Que a dúvida da dúvida duvida.


17
'Que sais-je?' was the motto of Montaigne,
As also of the first academicians:
That all is dubious which man may attain,
Was one of their most favourite positions.
There 's no such thing as certainty, that 's plain
As any of Mortality's conditions;
So little do we know what we 're about in
This world, I doubt if doubt itself be doubting.



BYRON, George Gordon. Estrofe 17 do canto IX de "Don Juan". In: CAMPOS, Augusto de. Byron e Keats. Entreversos. Campinas: Unicamp, 2009.