14.12.12
Günther Eich: "Inventur" / "Balanço": trad. Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger
Balanço
Isso é minha boina,
isso o meu casacão,
aqui meu barbeador
na sacola de linho.
Lata de conserva:
meu prato, meu copo,
risquei o nome na
face da lata.
Riscado aqui com este
precioso prego
que de invejosos
olhos escondo.
Na sacola do pão,
um par de meias de lã
e algumas coisas
que a ninguém revelo,
assim, serve à minha cabeça
como travesseiro de noite.
O papelão aqui se estende
entre mim e a terra.
A carga do lápis
é o que mais amo:
de dia escreve-me versos
que de noite inventei.
Aqui meus alfarrábios,
isso é minha lona,
isso é minha toalha,
isso, meu fio de coser.
Inventur
Dies ist meine Mütze,
dies ist mein Mantel,
hier mein Rasierzeug
im Beutel aus Leinen.
Konservenbüchse:
Mein Teller, mein Becher,
ich hab in das Weißblech
den Namen geritzt.
Geritzt hier mit diesem
kostbaren Nagel,
den vor begehrlichen
Augen ich berge.
Im Brotbeutel sind
ein Paar wollene Socken
und einiges, was ich
niemand verrate,
so dient er als Kissen
nachts meinem Kopf.
Die Pappe hier liegt
zwischen mir und der Erde.
Die Bleistiftmine
lieb ich am meisten:
Tags schreibt sie mir Verse,
die nachts ich erdacht.
Dies ist mein Notizbuch,
dies ist meine Zeltbahn,
dies ist mein Handtuch,
dies ist mein Zwirn.
EICH, Günther. "Inventur" / "Balanço". In:_____. BLUME, Rosvitha Friesen e WEININGER, Markus J. (Orgs.) Seis décadas da poesia alemã. Do pós-guerra ao início do século XXI. antologia bilingue. Trad. dos organizadores. Florianópolis: Editora UFSC, 2012.
12.12.12
Rainer Maria Rilke: "Schlußstück" / "Conclusão": trad. Augusto de Campos
Schlußstück
Der Tod ist groß.
Wir sind die Seinen
lachenden Munds.
Wenn wir uns mitten im Leben meinen,
wagt er zu weinen
mitten in uns.
Conclusão
A Morte é grande.
Nós, sua presa,
vamos sem receio.
Quando rimos, indo, em meio à correnteza,
chora de surpresa
em nosso meio.
RILKE, Rainer Maria. "O livro de imagens"/"Das Buch des Bilders". In: CAMPOS, Augusto. Coisas e anjos de Rilke. Perspectiva: 2001.
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9.12.12
Bertolt Brecht: "Den Nachgeborenen" / "O nascido depois": trad. Paulo César de Souza
O nascido depois
Eu confesso: eu
Não tenho esperança.
Os cegos falam de uma saída. Eu
Vejo.
Após os erros terem sido usados
Como última companhia, à nossa frente
Senta-se o Nada.
Den Nachgeborenen
Ich gestehe es: ich
Habe keine Hoffnung.
Die Blinden reden von einem Ausweg.
Ich sehe.
Wenn die Irrtümer verbraucht sind
Sitzt als letzter Gesellschafter
Uns das Nichts gegenüber.
BRECHT, Bertolt. Werke. Große kommentierte Berliner und Frankfurter Ausgabe. Frankfurt: Suhrkamp, 1988.
BRECHT, Bertolt. Poemas 1913-1956. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Editora 34, 2000.
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8.12.12
CONVITE
Data: 11 de dezembro de 2012
Hora: 18:30hs
Local: Salão Marquês de Paraná
Universidade Cândido Mendes
Rua da Assembléia, 10 - 42º andar
Rio de Janeiro, RJ
Informações:
Rua Mosela, 289, Mosela - Petrópolis, RJ
Tel/Fax: (24) 2242-6433
e-mails: bolrede@terra.com.br
centroalceuamorosolima@yahoo.com.br
Apoio:
Associação de Amigos do Dr. Alceu / AADA
5.12.12
Paul Celan: "Der Gast" / "O hóspede": trad. Flávio R. Kothe
O hóspede
Bem antes da noite
te visita alguém que saudou o obscuro.
Bem antes do dia
ele acorda
e ativa, antes de partir, um sono,
um sono ressoando passos:
ficas a ouvi-lo mensurar distâncias,
e é bem lá que lanças tua alma.
Der Gast
Lange vor Abend
kehrt bei dir ein, der den Gruß getauscht mit dem Dunkel.
Lange vor Tag
wacht er auf
und facht, eh er geht, einen Schlaf an,
einen Schlaf, durchklungen von Schritten:
du hörst ihn die Fernen durchmessen
und wirfst deine Seele dorthin.
CELAN, Paul. Poemas II. Introdução, tradução, comentários e organização de Flávio R. Kothe. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1985.
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3.12.12
Conferências sobre Filosofia e Cultura Brasileira
Programação
CAIXA Cultural Rio de Janeiro
04 a 07 de dezembro de 2012
Av. Almirante Barroso, 25 – Centro
(próximo ao metrô Carioca)
Telefone: (21) 2544-4080
As vagas serão preenchidas pela ordem de chegada dos interessados.
80 vagas. Sujeito à lotação.
As senhas serão distribuídas a partir das 17h.
04/12, terça-feira
18h Antonio Cícero: Filosofia e niilismo
19h30 Ana Cristina Chiara: O salto da índia: corpos na cultura brasileira
05/12, quarta-feira
18h Luiz Carlos Maciel: O sol da liberdade
19h30 Patrick Pessoa: Brás e o Brasil: a Filosofia da Arte de Machado de Assis
06/12, quinta-feira
18h Adriany Mendonça: Aspectos filosóficos da antropofagia oswaldiana
19h30 Alexandre Mendonça: Cultura popular e Filosofia
07/12, sexta-feira
18h Rosa Dias: A família do barulho na Belair de Júlio Bressane
19h30 Jorge Mautner: A amálgama do Brasil universal
2.12.12
Antero de Quental: "Sonho oriental"
Sonho Oriental
Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha...
O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...
E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
QUENTAL, Antero de. Sonetos. Org. por António Sérgio. Lisboa: Sá da Costa, 1963.
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