19.11.11

Lançamento do livro de Noemi Jaffe: "




No sábado, 26 de novembro, ocorrerá o lançamento do livro de Noemi Jaffe, Quando nada está acontecendo, na Livraria da Villa (Rua Fradique Coutinho, 915, Villa Madelna, São Paulo). Embora eu more no Rio, não quero perder essa ocasião, pois adoro tudo o que a Noemi escreve, de modo que farei o possível para estar lá.


18.11.11

William Carlos Williams: "A sort of song" / "Espécie de canção": trad. de Antonio Cicero





A sort of song

Let the snake wait under
his weed
and the writing
be of words, slow and quick, sharp
to strike, quiet to wait,
sleepless.

– through metaphor to reconcile
the people and the stones.
Compose. (No ideas
but in things) Invent!
Saxifrage is my flower that splits
the rocks.



Espécie de canção

Deixar a cobra espreitar sob
a erva
e a escrita
ser palavras, lentas e rápidas, afiadas
ao golpear, quietas ao aguardar,
insones.

– pela metáfora reconciliar
pessoas e pedras.
Compor. (Nenhuma ideia
senão nas coisas.) Inventar!
Saxífraga é minha flor que cinde
rochas.



WILLIAMS, William Carlos. "The wedge". In:_____. The collected poems of William Carlos Williams. Vol.2. New York: New Directions, 1986.

Exposição de Marcelo Pies: "Figuras: a invenção de si"




É uma beleza a exposição "Figuras: a invenção de si", de Marcelo Pies, com a curadoria de Luciano Figueiredo, no Oi Futuro Ipanema.



14.11.11

Juan Ramón Jiménez: "Soledad" / "Solidão": trad. de Antonio Cicero




Soledad

En ti estás todo, mar, y sin embargo,
¡qué sin ti estás, qué solo,
qué lejos, siempre, de ti mismo!

Abierto en mil heridas, cada instante,
cual mi frente,
tus olas van, como mis pensamientos,
y vienen, van y vienen,
besándose, apartándose,
con un eterno conocerse,
mar, y desconocerse.

Eres tú, y no lo sabes,
tu corazón te late y no lo siente...
¡Qué plenitud de soledad, mar solo!



Solidão

Em ti estás todo, mar, e contudo
como estás sem ti, e só,
e longe, sempre, de ti mesmo!

Aberto em mil feridas, cada instante,
qual minha fronte,
tuas ondas vão, como meus pensamentos,
e vêm, vão e vêm,
beijando-se, separando-se,
num eterno conhecer-se,
mar, e desconhecer-se,

És tu e não o sabes,
teu coração te late e não o sente...
Que plenitude de solidão, mar só!



JIMÉNEZ, Juan Ramón. "Soledad". In: RICO, Francisco (org.). Mil años de poesía española. Antologia comentada. Barcelona: Planeta, 1996.

5.11.11

Vinícius de Moraes: "Máscara mortuária de Graciliano Ramos"




Máscara mortuária de Graciliano Ramos

Feito só, sua máscara paterna,
Sua máscara tosca, de acre-doce
Feição, sua máscara austerizou-se
Numa preclara decisão eterna.

Feito só, feito pó, desencantou-se
Nele o íntimo arcanjo, a chama interna
Da paixão em que sempre se queimou
Seu duro corpo que ora longe inverna.

Feito pó, feito pólen, feito fibra
Feito pedra, feito o que é morto e vibra
Sua máscara enxuta de homem forte.

Isto revela em seu silêncio à escuta:
Numa severa afirmação da luta,
Uma impassível negação da morte.



MORAES, Vinícius de. Nova antologia poética. Org. por Antonio Cicero e Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

2.11.11

Rainer Maria Rilke: "Der Dichter" / "O poeta": tradução de Augusto de Campos




Der Dichter


Du entfernst dich von mir, du Stunde.
Wunden schlägt mir dein Flügelschlag.
Allein: was soll ich mit meinem Munde?
mit meiner Nacht? mit meinem Tag?

Ich habe keine Geliebte, kein Haus,
keine Stelle auf der ich lebe
Alle Dinge, an die ich mich gebe,
werden reich und geben mich aus.



O poeta

Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é o meu açoite.
Só: da boca o que faço agora?
Que faço do dia, da noite?

Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.




RILKE, Rainer Maria. "Novos poemas I / Neue Gedichte I". In: CAMPOS, Augusto. Coisas e anjos de Rilke. São Paulo: Perspectiva, 2007.