30.9.18

Cientistas afirmam que heterossexuais não existem



Agora, cientistas confirmam algo que já era afirmado pelos verdadeiros filósofos e psicanalistas: não exitem nem heterossexuais nem homossexuais:


Cientistas afirmam que heterossexuais não existem

Afinal, a sexualidade humana não é tão simples e linear como pensávamos. Cientistas defendem que a sexualidade é uma realidade fluída, após observarem que voluntários respondiam positivamente tanto a estímulos hetero como homossexuais.

Um estudo recente, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, apresenta uma nova perspectiva sobre a sexualidade humana. A pesquisa se concentrou na expressão ocular de participantes mulheres e homens e na resposta psicológica ao observar material pornográfico.

Liderada por Ritch C. Savin-Williams, da Universidade Cornell nos Estados Unidos, a equipe de pesquisadores descobriu que os corpos dos participantes respondiam positivamente a sinais de sexo homossexual e heterossexual, independente de como se identificavam sexualmente.

Os cientistas mediram a reação dos participantes do estudo através da dilatação da pupila, uma ação corporal que o ser humano não controla conscientemente.

“É basicamente um estudo que avalia a orientação sexual através da dilatação ocular de uma pessoa. Essencialmente, é a isso que o projeto quer chegar: outra forma de entender a sexualidade de alguém”, explicou Savin-Williams à revista Vice, citada pela Sábado.

Os cientistas quebraram assim a ideia de que a sexualidade tem que ser vista como algo rígido e estático. Em vez disso, assumiram que a sexualidade humana é fluída, complexa e alvo de constantes mudanças.

Uma das principais conclusões do estudo é o fato de os cientistas terem percebido que a sexualidade humana é muito mais do que ser heterossexual ou homossexual.

“Não estou certamente surpreeso”, confessou o diretor do projeto. “Estamos tentando compreender quem as pessoas são. Às vezes, as pessoas são de certa forma, mas sentem que devem se assumir de outra maneira perante os outros, e isso não é bom.”

De acordo com o cientista, isso acontece como uma consequência de uma influência social restritiva no indivíduo, ou seja, a norma que determina como os indivíduos são vistos e tratados.

“Nós mostramos a um homem heterossexual uma imagem de uma mulher se masturbando e eles responderam como seria de se esperar. Depois, também apresentamos a eles uma imagem de um homem fazendo a mesma ação e as pupilas se dilataram em alguns candidatos”, acrescentou Savin-Williams.

O pesquisador crê que as fronteiras estão se dissipando. “Penso que isso esteja acontecendo para ambos os sexos, o que é provavelmente uma coisa boa, uma vez que permite que as crianças cresçam com mais diversidade, mais opções e não sintam que tenham de tentar se enquadrar a qualquer custo”, sustentou.

Assim, os cientistas defendem a sexualidade humana como uma realidade fluída e complexa e não heteronormativa. Por isso, afirmam, deve-se rejeitar a ideia de rotulação da sociedade humana.





CIBERIA. https://ciberia.com.br/os-heterossexuais-nao-existem-45905. 29 de setembro de 2018. "Cientistas afirmam que heterossexuais não existem". 

28.9.18

Cecilia Meireles: "De longe te hei de amar"



De longe te hei de amar

De longe te hei de amar,
– da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
é parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?

E, no fundo do mar,
a estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência




MEIRELES, Cecília. "De longe te hei de amar". In:_____. Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

25.9.18

As "ideias" de Bolsonaro



Vejam o seguinte vídeo e ouçam a "coerência" das "ideias" de Bolsonaro:





23.9.18

António Machado: "Dices que nada se pierde": "Dizes que nada se perde": trad. de Antonio Cicero



Dizes que nada se perde
e talvez seja verdade,
porém tudo nós perdemos
e tudo nos perderá.



Dices que nada se pierde
y acaso dices verdad,
pero todo lo perdemos
y todo nos perderá




MACHADO, António. "Dices que nada se pierde". In:_____. Poesías completas. Madrid: Espasa-Calpe, 1983.

21.9.18

Jacques Prévert: "Le bonheur des uns" / "A felicidade de uns": trad. de Silviano Santiago





A felicidade de uns

Peixes amigos amados
Amantes dos que foram pescados em tamanha quantidade
Vocês assistiram a essa calamidade
A esta coisa horrível
A esta coisa terrível
A este tremor de terra
A pesca milagrosa
Peixes amigos amados
Amantes dos que foram pescados em tamanha quantidade
Dos que foram pescados cozidos comidos
Peixes... peixes... peixes...
Como vocês devem ter rido
No dia da crucificação.




Le bonheur des uns

Poissons amis aimés
Amants de ceux qui furent pêches en si grande quantité
Vous avez assisté à cette calamité
A cette chose horrible
A cette chose affreuse
A ce tremblement de terre
La pêche miraculeuse
Poissons amis aimés
Amants de ceux qui furent pêches en si grande quantité
De ceux qui furent péchés ébouillantés mangés
Poissons... poissons... poissons...
Comme vous avez dû rire
Le jour de la crucifixion.




PRÉVERT, Jacques. Poemas. Seleção e tradução de Silviano Santiago. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

20.9.18

Antonio Cicero: "Canção do prisioneiro"



Recito o meu poema "Canção do prisioneiro" no site português A Vida Breve. Para escutar, sigam o link https://www.rtp.pt/play/p1109/e365558/a-vida-breve

A "Canção do prisioneiro" foi originalmente publicado no livro A cidade e os livros (Rio de Janeiro: Record, 2002). 




18.9.18

Antonio Cicero: "Narciso"



Narciso

Narciso é filho de uma flor aquática
e de um rio meândrico. É líquido,
cristalizado de forma precária
e preciosa, trazendo o sigilo
de sua origem no semblante vívido,
conquanto reflexivo. Ousaria
defini-lo como aquele em que a vida
mesma se retrata. É pois fatídico
que, logo ao se encontrar, ele se perca
e, ao se conhecer, também se esqueça,
se está na confluência da verdade
e da miragem, quando as verdes margens
da fonte emolduram sua imagem fluida
e fugaz de água sobre água cerúlea.




CICERO, Antonio. "Narciso". In:_____. Guardar. Rio de Janeiro: Record, 1996.