28.8.12
§100
[...]
Rien faire comme une bête , deitar na água e calmamente olhar para o céu, ‘ser, nada mais, sem qualquer determinação ou realização ulterior’ poderiam tomar o lugar de processo, ato, realização, e assim verdadeiramente cumprir a promessa da lógica dialética de desembocar em sua origem. Nenhum dos conceitos abstratos chega mais perto da utopia realizada do que o da paz eterna.
ADORNO, Theodor. Minima moralia. Frankfurt: Suhrkamp, 1969,
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26.8.12
Antonio Cicero em Leituras Sabáticas, na TV Estadão
Ontem foi ao ar a minha participação nas Leituras Sabáticas da TV Estadão, do jornal O Estado de São Paulo. Ficou assim:
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25.8.12
Johann Wolfgang von Goethe: sobre o artista
O artista tem com a natureza uma relação dupla: é seu senhor e seu escravo ao mesmo tempo. É seu escravo, na medida em que tem que trabalhar com meios terrestres, para se fazer entender; porém é seu senhor, na medida em que submete esses meios terrestres às suas intenções mais elevadas e os torna servos das mesmas.
GOETHE, Johann Wolfgang von. Briefe, "Gespräche". In: Briefe, Tagebücher, Gespräche. Eingerichtet von Mathias Bertram. Berlin: Directmedia, 1998. CD-Rom.
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23.8.12
Salvatore Quasimodo: "Specchio" / "Espelho": trad. Geraldo Holanda Cavalcanti
Espelho
E eis que do tronco
rompem-se os brotos:
um verde mais novo da relva
que o coração acalma:
o tronco parecia já morto,
vergado no barranco.
E tudo me sabe a milagre;
e eu sou aquela água de nuvens
que hoje reflecte nas poças
mais azul seu pedaço de céu,
aquele verde que se racha da casca
e que tampouco ontem à noite existia.
Specchio
Ed ecco sul tronco
Si rompono gemme:
un verde più nuovo dell’erba
che il cuore riposa:
il tronco pareva già morto,
piegato sul botro.
E tutto mi sa di miracolo;
e sono quell’acqua di nube
che oggi rispecchia nei fossi
più azzurro il suo pezzo di cielo,
quel verde che spacca la scorza
che pure stanotte non c’era.
QUASIMODO, Salvatore. Poesias. Seleção, trad. e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 1999.
21.8.12
Paulo Guedes: "Socialismo tardio"
O seguinte -- excelente -- artigo do economista Paulo Guedes foi publicado em O Globo na segunda-feira, 20 de agosto:
Socialismo tardio
“Presidentes que não saem do ar: Hugo Chávez, da Venezuela, Cristina Kirchner, da Argentina, e Rafael Correa, do Equador, usam redes nacionais de rádio e TV para impor sua visão”, informa O GLOBO de ontem em matéria que revela como arma política o “microfone estatal a serviço do poder”.
Estive em Cuba com minha família há apenas alguns anos. Fidel Castro era ainda presidente. Quando liguei a televisão no hotel e percorri os canais, o comandante estava em todos eles. Era ainda pior do que esse clássico sintoma de tiranetes em ascensão que se comunicam com frequência em cadeias nacionais de televisão.
Filmado em diferentes ocasiões, em longuíssimos discursos, fazia preleções para crianças em escolas, presidia reuniões políticas, exortava jovens em cerimônias de formatura universitária, recebia delegações políticas estrangeiras, em onipresente tentativa de lavagem cerebral.
Entusiasmante nos primeiros minutos, tolerável por meia hora e insuportável a partir de então. Chávez, a cuja visita pude assistir naquela ocasião, teve mesmo em Fidel um grande mestre.
Hoje sabemos todos que Lula não era Chávez. Mas nem todos sabíamos que o Brasil não é a Venezuela. O antigo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza sabia. O atual procurador-geral, Roberto Gurgel, e o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa também. Quem não sabia era a turma do mensalão.
Há quem, ainda hoje, acredite na concentração dos poderes políticos, na centralização administrativa, na estatização da economia e no controle da mídia como receitas adequadas para o Brasil. O equívoco intelectual tem nome: um exacerbado socialismo nacionalista.
Essa é uma estrada conhecida, trilhada à “esquerda” e à “direita” por regimes totalitários que infelicitaram milhões de seres humanos. Enveredaram por esse caminho as ditaduras de partido único da Itália de Mussolini, da Alemanha de Hitler, da Rússia de Stalin. O caminho da servidão.
“Mussolini foi antes de tudo um socialista. O ingrediente nacionalista foi também virulento. O fascismo italiano é, como o nazismo alemão, um nacional-socialismo”, diagnostica o insuspeito e lúcido Edgar Morin, em “Cultura e barbárie europeias” (2005). O socialismo bolivariano é a doença latina do século XXI.
19.8.12
Lançamento do livro de poemas "Porventura" em São Paulo
Convido os amigos e leitores do blog residentes em São Paulo para o lançamento do meu novo livro de poemas, "Porventura", que terá lugar amanhã (segunda-feira), a partir das 19h30, no Espaço Revista Cult, na Rua Inácio Pereira da Rocha, 400, em Vila Madalena.
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Lançamento
17.8.12
Vinícius de Moraes: "A anunciação"
A anunciação
Virgem! filha minha
De onde vens assim
Tão suja de terra
Cheirando a jasmim
A saia com mancha
De flor carmesim
E os brincos da orelha
Fazendo tlintlin?
Minha mãe querida
Venho do jardim
Onde a olhar o céu
Fui, adormeci.
Quando despertei
Cheirava a jasmim
Que um anjo esfolhava
Por cima de mim...
MORAES, Vinícius de. Nova antologia poética. Org. por Antonio Cicero e Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
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