22.7.12

Lançamento de "Poesia e filosofia", de Antonio Cicero, e "Clarice Lispector: uma literatura pensante", de Evando Nascimento







23 de julho, segunda-feira:

18h. Conversa sobre as relações entre literatura e filosofia.
Participantes: Antonio Cicero, Evando Nascimento e Noemi Jaffe

19h30. Sessão de autógrafos e coquetel

Casa do Saber / Livraria da Vila
Rua Dr. Mario Ferraz, 414, Jardins SP

21.7.12

Octavio Paz: de "Poesia e modernidade"




O mundo de Dante era finito e por isso pôde traçar a geografia do inferno, do purgatório e do paraíso. Mas esse mundo limitado era eterno: os homens estavam destinados a viver pelos séculos dos séculos e, depois do Juízo Final, sem experimentar mudança alguma. A eternidade dissipa o tempo e a sucessão. Seremos para sempre o que somos. Nisso consiste a diferença radical entre o mundo medieval e o moderno. O cristão medieval vivia num espaço finito e estava destinado à eternidade dos bem-aventurados ou dos réprobos; nós vivemos num universo infinito e estamos destinados a desaparecer para sempre. Nossa condição é trágica num sentido que nem os pagãos da Antiguidade nem os cristãos da Idade Média suspeitaram.



PAZ, Octavio. "Poesía y modernidad". In:_____. La otra voz. Poesía y fin de siglo. Barcelona: Seix Barral, 1990.

19.7.12

George Gordon Byron: de "Childe Harold": trad. de Augusto de Campos




113

O mundo eu não o amei, nem ele a mim;
Não bajulei seu ar vicioso, nem dobrei
Aos seus idólatras o joelho do sim. -
Meu rosto não abriu risos ao rei
Nem repetiu ecos; a turba, eu sei,
Não me inclui entre os seus. Vivi ao lado
Deles, porém sem ser da sua grei;
E à mortalha da sua mente atado
Estaria se não me houvesse precatado.


113

I have not loved the world, nor the world me;
I have not flatter'd its rank breath, nor bowed
To its idolatries a patient knee, --
Nor coined my cheek to smiles, nor cried aloud
In worship of an echo; in the crowd
They could not deem me one of such; I stood
Amongst them, but not of them; in a shroud
Of thoughts which were not their thoughts, and still could,
Had I not filed my mind, which thus itself subdued.



BYRON, George Gordon. "Childe Harold: From Canto III / Do canto III". In: CAMPOS, Augusto de (org. e trad.). Byron e Keats: Entreversos. Campinas: Unicamp, 2009.

17.7.12

Gertrude Stein: de "O que são as obras primas e porque são tão poucas?"




[...]
O que aos poucos se descobre é que não se tem identidade quando se está no ato de fazer alguma coisa. Identidade é reconhecimento, você sabe quem é porque os outros se lembram de alguma coisa sobre você, mas essencialmente você não é isso, quando está fazendo alguma coisa. Eu sou eu porque meu cachorrinho me conhece, mas, do ponto de vista criativo, o cachorrinho saber que você é você e você reconhecer que ele sabe é o que destrói a criação. É o que faz escola. Picasso uma vez comentou pouco me importa quem me influencia desde que não seja eu mesmo.
[...]


[...]
The thing one gradually comes to find out is that one has no identity that is when one is in the act of doing anything. Identity is recognition, you know who you are because you and others remember anything about yourself but essentially you are not that when you are doing anything. I am I because my little dog knows me but, creatively speaking the little dog knowing that you are you and your recognising that he knows, that is what destroys creation. That is what makes school. Picasso once remarked I do not care who it is that has or does influence me as long as it is not myself.
[...]



STEIN, Gertrude. "What are masterpieces and why are there so few of them?" In:_____. Writings and lectures. 1909-1945. Org. por P. Meyerowitz. Baltimore: Penguin Books, 1971.

15.7.12

Gastão Cruz: "Na poesia"




Na poesia

Na poesia procuro uma casa onde o eco
existe sem o grito que todavia o gera




CRUZ, Gastão. "Rua de Portugal e outros lugares". In: Os poemas (1960-2006. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009.

14.7.12

Novalis: Sobre a romantização




Ao dar ao comum um sentido elevado, ao usual um aspecto misterioso, ao conhecido a dignidade do desconhecido, ao finito uma aparência infinita, eu os romantizo.



Indem ich dem Gemeinen einen hohen Sinn, dem Gewöhnlichen ein geheimnisvolles Ansehen, dem Bekannten die Würde des Unbekannten, dem Endlichen einen unendlichen Schein gebe so romantisiere ich es.



NOVALIS. "Logologische Fragmente". In: Schriften. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1964, fr.105.