11.3.15

José Castello: "Os sapatos de Leminski"



Gostei muito do artigo do José Castello intitulado "Os sapatos de Leminski". Ele se encontra aqui: http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/posts/2015/03/11/os-sapatos-de-leminski-562309.asp.  

10.3.15

Giuseppe Ungaretti: "Peso" / "Peso": trad. Geraldo Holanda Cavalcanti




Peso

                Mariano, 29 de junho de 1916


Aquele camponês
se fia na medalha
de Santo Antonio
e segue tranquilo

Mas bem só e bem nua
sem qualquer miragem
carrego minha alma




Peso

                 Mariano il 29 giugno 1916

Quel contadino
si affida alla medaglia
di Sant'Antoni
e va leggero

Ma ben sola e ben nuda
senza miraggio
porto la mia anima



UNGARETTI, Giuseppe. "Peso". In:_____. L'Allegria / A alegria. Trad. Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 2003.


                 
    

8.3.15

Adriana Calcanhotto e Antonio Cicero em "Afinando a Língua", com Tony Bellotto, no Canal Futura



Ao final do ano passado, participei, junto com Adriana Calcanhotto, do programa "Afinando a Língua", com Tony Bellotto, no Canal Futura. Eis como ficou:


7.3.15

Mário Annuza: "DESORDEM"




DESORDEM

ai, quem me dera ser milionário 
morar na avenida vieira souto 
ter mais de vinte helicópteros 
não me preocupar com nada, 
e viver apenas de renda.

ai, quem me dera ser bacharel 
ser catedrático em harvard 
falar pelo menos cinco línguas 
ser casado com a cindy crawford 
e morrer coberto de glórias.

ai, quem me dera ser ary barroso 
ser o criador da aquarela do brasil 
ficar conhecido como compositor 
mostrar as curvas de uma mulata 
e ser considerado um gênio.

ai, quem me dera ser vieira souto 
morar na avenida cinco línguas 
ter mais de vinte glórias 
não me preocupar com o compositor, 
e viver apenas de bacharel.

ai, quem me dera ser helicópteros 
ser catedrático em nada 
falar pelo menos de renda 
ser casado com a aquarela do brasil 
e morrer coberto de ary barroso.

ai, quem me dera ser avenida 
ser o criador da cindy crawford 
ficar conhecido como harvard 
mostrar as curvas de um milionário 
e ser considerado uma mulata. 




ANNUZA, Mário. "Desordem". In:_____. acústica. Rio de Janeiro: encantarte, 2014.

5.3.15

Odylo Costa Filho: "A ponte"




A ponte

Para quem sabe andar de olhos abertos
existe um mundo em cada grão de areia.
Dentro dele há segredos encobertos
onde a matéria se desencadeia.

E ao mesmo tempo o mar é meu consolo.
O homem criou o barco, e de paredes
fez a casa, tijolo após tijolo,
para o abandono sensual das redes.

O infinito da linha do horizonte
se dispersa e concentra no infinito
do universo das coisas pequeninas.

Não tenhas medo, minha amiga. A ponte,
que liga a vida e a morte como um grito
de amor, cobriu-se agora de boninas...




COSTA FILHO, Odylo. "A ponte". In:_____. "Os mirantes do ilhéu". In:_____. Poesia completa. Org. por Virgílio Costa. Rio de Janeiro: Aeroplano e Fundação Biblioteca Nacional, 2010.

3.3.15

Abel Silva: "O mercado da fé"




O mercado da fé

Então
é isso
o que quer
a animada manada
dos sem neurônios:

um único deus
e zilhões
de demônios?



SILVA, Abel. "O mercado da fé". In:_____. O gosto dos dias. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2014.

1.3.15

José Almino: "Outro dia"




Outro dia

A luz era variável e branda,
sem tirar nem por.
E o rio corria lento atrás das casas,
só faltava falar.

Sem tirar nem por.

Cedinho, as costureiras,
gente tão mansa e afável,
passavam, 
entristeciam a alva em surpresa.

E a poesia era desnecessária.





ALMINO, José: "Outro dia". Inédito.