14.8.14
13.8.14
eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics
Recomendo calorosamente aos amigos deste blog que leiam o nº 3
da ótima revista eLyra, da Rede Internacional Lyracompoetics. (http://www.elyra.org/index.php/elyra/issue/current).
Entre vários
artigos interessantes, ela contém uma entrevista que dei a Celia Pedrosa (http://www.elyra.org/index.php/elyra/article/view/50/52)
e um excelente artigo de Luiz Fernando Valente, intitulado “Antonio Cicero e a
poética das ruínas” (http://www.elyra.org/index.php/elyra/article/view/39/41).
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Lyracompoetics
12.8.14
Armando Freitas Filho: "Ar de família"
Ar de família
Só sei ser íntimo ou não sei ser.
O que escrevo me ameaça de tão perto.
Amassa mãe, pai, filhos, mulheres
os de sangue símil, os de romance
os de tinta de impressão, de árvore
venosa de folhas variáveis no vento
das estações, no ferido almofariz
com o mesmo pilão de pedra
sem lavar, e entre uma socada e outra
o silêncio do punho fechado.
FREITAS FILHO, Armando. Dever. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
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Poema
9.8.14
Constatinos Caváfis: "Che fece... Il Gran Rifiuto": trad. José Paulo Paes
Che fece... Il Gran Rifiuto
Para alguns homens, chega o dia finalmente
em que é necessário o grande Sim ou o grande Não
dizer. Percebe-se quem trazia, nessa ocasião,
o Sim já pronto dentro de si, e dizendo-o sente
seu valor aumentado, sua confiança crescida.
Não se arrepende quem diz não. Di-lo-ia outra vez
se lho perguntassem, embora saiba o mal que fez
aquele não — por mais justo que fosse — à sua vida.
CAVÁFIS, Constatinos. "Che fece... Il gran rifiuto". Trad. por José Paulo Paes. In: PAES, José Paulo. Poesia moderna da Grécia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
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7.8.14
Anacreonte: fragmento 13: trad. Antonio Cicero
Fragmentum 13
De novo jogando uma bola lilás para mim,
Eros, da cabeleira dourada,
me incita a jogar com a menina das sandálias coloridas.
Mas ela, da bela ilha de Lesbos,
ri da minha cabeleira prateada
e se interessa por outra.
ANACREONTE. "Fragmentum XIII". In: PAGE, D.L. (org.). Poetae melici Graeci. Oxford: Clarendon Press, 1967.
Tradução por Antonio Cicero
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Poema
5.8.14
Heirich Heine: "Ich tanz nicht mit, ich räuchre nicht den Klötzen" / "Não entro nessa dança, não incenso": trad.: André Vallias
Não entro nessa dança, não incenso
Os ídolos de ouro e pés de barro;
Tampouco aperto a mão desse masmarro
Que me difama e distribui dissenso.
Não galanteio a linda rapariga
Que ostenta sem pudor suas vergonhas;
Nem acompanho as multidões medonhas
Que adoram seus heróis de meia-figa.
Eu sei: carvalhos têm que desabar,
Enquanto o junco se abaixando espera
Passar o vento forte da intempérie.
Mas do que pode um junco se orgulhar?
Tirar poeira de capacho ao sol,
Curvar-se para a linha de um anzol.
Ich tanz nicht mit, ich räuchre nicht den Klötzen,
Die außen goldig sind, inwendig Sand;
Ich schlag nicht ein, reicht mir ein Bub die Hand,
Der heimlich will den Namen mir zerfetzen.
Ich beug mich nicht vor jenen hübschen Metzen,
Die schamlos prunken mit der eignen Schand;
Ich zieh nicht mit, wenn sich der Pöbel spannt
Vor Siegeswagen seiner eiteln Götzen.
Ich weiß es wohl, die Eiche muß erliegen,
Derweil das Rohr am Bach, durch schwankes Biegen,
In Wind und Wetter stehn bleibt, nach wie vor.
Doch sprich, wie weit bringt’s wohl am End’ solch Rohr?
Welch Glück! als ein Spazierstock dient’s dem Stutzer,
Als Kleiderklopfer dient’s dem Stiefelputzer.
HEINE, Heinrich. "Sonetos-afresco". In:_____. heine hein? poeta dos contrários. Introdução e traduções de André Vallias. São Paulo: Perspectiva, 2011.
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Poema
2.8.14
Fernando Mendes Vianna: "Ofício manual"
Ofício manual
Percorrer teu corpo com as mãos
como se mãos fossem pés de criança correndo na relva,
como se mãos fossem pés de lavrador percorrendo o campo.
Percorrer teu corpo
como as asas das garças percorrem o céu,
como as nadadeiras dos peixes percorrem a água.
Percorrer teu corpo
com o olhar de uma criança percorrendo um brinquedo
antes de segurá-lo,
com a risada de uma criança segurando o brinquedo.
Percorrer teu corpo
como o olhar percorre o vinho ainda na videira
e apoja de sumo nossa boca.
Percorrer teu corpo
como um pomar carregado e um jardim florido,
colhendo flores e colhendo frutos.
Percorrer teu corpo
como um rio espalhando o humo na terra.
VIANNA, Fernando Mendes. Marinheiro no tempo. Brasília: Thesaurus, 1986.
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Poema
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