10.10.10
Max Martins: "Ao luar"
Ao luar
Um ramo de loucura
MARTINS, Max. "Colmando a lacuna". Poemas reunidos (1992-2001). Belém: EDUFPA, 2001.
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Poema
9.10.10
Curso "Como ler um poema"
A leitura de um poema, mesmo – e sobretudo – quando efetuada em voz baixa ou interior, não se compara com outras experiências de leitura. Não se lê um poema como se lê um artigo de jornal, um ensaio ou um romance, por exemplo. A leitura de um poema deve ser progressiva e regressiva, levando em conta todos os elementos semânticos e sintáticos, formais e materiais, descritivos e alusivos de que ele é composto. Quando não é lido adequadamente, o poema não é fruído como obra de arte, isto é, não é fruído como deve sê-lo. O curso “Como ler um poema” pretende, através de abordagens exemplares de alguns dos maiores poemas da literatura universal e brasileira, indicar como se deve ler um poema para fruí-lo enquanto obra de arte. Será dada maior ênfase à leitura de poemas modernos brasileiros e portugueses.
Temas:
Que é a poesia? A poesia e as outras artes. A poesia e a filosofia. A poesia e o juízo de valor. Poesia clássica e poesia romântica. Os recursos poéticos. Métrica. As formas fixas. Poesia moderna e modernista. O verso livre. O legado da tradição. Poesia de vanguarda. O resguardo. A retaguarda. Poesia contemporânea. A letra de canção.
De 19 a 22 de outubro,
de terça a sexta,
das 20h às 22h
INSCRIÇÕES
Pela internet, telefone ou no local
de segunda a sexta das 9h às 22h
sábados das 10h às 17h
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426
Pinheiros - São Paulo - SP - Brasil Centro Cultural b_arco
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atendimento online MSN:
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valor: 380,00
pagamentos até 11/out: 300,00
Carlos Drummond de Andrade: "O mundo é grande"
O mundo é grande
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
ANDRADE, Carlos Drummond de. "Amar se aprende amando". Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.
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Poema
7.10.10
Armindo Rodrigues: XC de "Beleza prometida"
XC
Pouco é um homem e, no entanto, nele
cabe tudo o que existe e fica ainda
espaço bastante para negá-lo.
RODRIGUES, Armindo. "Beleza prometida". Obra poética. Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural, 1972.
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Poema
4.10.10
Marcelo Diniz: "Tudo se faz de forma assim tão vária"
Tudo se faz de forma assim tão vária
Tudo se faz de forma assim tão vária
a nunca ser o mesmo que se escreve;
escreve-se porque falar é breve
e, eterna, a lavra quer-se abecedária;
tudo se faz, portanto, involuntária
e cautelosamente, como deve
quem deseja dotar o que é mais leve
de concisão sutil tão necessária;
por que se passe a limpo o repetido
para gravar o travo do que é dito
fixo na cifra e nítido no lido;
faz-se todo, finito após finito
a fim de, a cada surto do sortido,
somar-se ao infinito um outro escrito.
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Poema
3.10.10
A vida passada a limpo
O seguinte artigo foi publicado na minha coluna da "Ilustrada", da Folha de São Paulo, no sábado, 2 de outubro.
A vida passada a limpo
NA VÉSPERA das eleições, é natural que praticamente não se fale senão de política: e às vezes com uma histeria tanto maior quanto menos importante é o que se diz. Para variar, voltarei a escrever sobre um dos meus assuntos favoritos e inesgotáveis: "Que é a poesia?"
Outro dia, para tentar responder a essa pergunta, vali-me de um poema de Manuel Bandeira, "O Rio". Hoje aproveito o extraordinário título de um livro de Carlos Drummond de Andrade: "A Vida Passada a Limpo".
Passar a limpo um texto é retirar-lhe tudo o que não lhe pertence por direito, modificar o que deve ser modificado, adicionar o que falta, reduzi-lo ao que deve ser e apenas ao que deve ser. No caso de um poema, faz-se isso até o impossível, isto é, até que ele resplandeça. O que resplandece é o que vale por si: o que merece existir.
Para tentar chegar a esse ponto, o poeta necessita pôr em jogo, até aonde não possam mais ir, todos os recursos de que dispõe: todo seu intelecto, sua sensibilidade, sua intuição, sua razão, sua sensualidade, sua experiência, seu vocabulário, seu conhecimento, seu senso de humor etc. E entre os "cetera" encontra-se a capacidade de, a cada momento, intuir o que interessa e o que não interessa naquilo que o acaso e o inconsciente ofereçam.
Em princípio, tudo num poema é arbitrário. O poeta sabe que a poesia é compatível com uma infinidade de formas e temas. Ele tem o direito de usar qualquer das formas tradicionais do verso, o direito de modificá-las e o direito de inventar novas formas para os seus poemas. Nenhuma opção lhe é vedada a priori; em compensação, nenhuma opção lhe confere garantia alguma de que sua obra venha a ter qualquer valor.
O poema se desenvolve a partir de alguma decisão ou de algum acaso inicial. Por exemplo, ocorre ao poeta, em primeiro lugar, uma frase que ouviu no metrô; a partir dela, esboça-se uma ideia: e ele começa a fazer um poema. Ou então ocorre-lhe uma ideia e ele tenta desdobrá-la e realizá-la. A cada passo, é preciso fazer escolhas. Em algum momento -seja no início, seja no meio do trabalho- impõe-se decidir a estrutura global do poema: se será longo ou curto; se será dividido em estrofes; se seus versos serão livres ou metrificados; se serão rimados ou brancos; se o poema como um todo terá um formato tradicional, como um soneto, ou uma forma "sui generis" etc. Às vezes, uma primeira decisão parece impor todas as demais, que vêm como que natural e impensadamente; às vezes, certos momentos se dão como crises que aguardam soluções.
Cada escolha que o poeta faz limita a liberdade vertiginosa de que ele dispunha antes de começar a escrever. As restrições devidas a formas autoimpostas são importantes, porque exatamente o esforço consciente e obsessivo para tentar resolver a tensão entre elas e o impulso expressivo é um dos fatores que mais propiciam a ocorrência de intervenções felizes do acaso e do inconsciente: o que, de certo modo, dissolve a dicotomia tradicional entre a inspiração, por um lado, e a arte ou o trabalho, por outro.
Assim, numa época em que "tempo é dinheiro", a poesia se compraz em esbanjar o tempo do poeta. Mas o poema em que a poesia esbanjou o tempo do poeta é aquele que também dissipará o tempo do leitor ideal, que se deleita ao flanar pelas linhas dos poemas que mereçam uma leitura ao mesmo tempo vagarosa e ligeira, reflexiva e intuitiva, auscultativa e conotativa, prospectiva e retrospectiva, linear e não linear, imanente e transcendente, imaginativa e precisa, intelectual e sensual, ingênua e informada. Ora, é por essa temporalidade concreta, que se põe no lugar da temporalidade abstrata do cotidiano, que se mede a grandeza de um poema.
Dizer que a poesia é a vida passada a limpo é dizer que a vida é o rascunho da poesia. Isso significa que o fim da vida é virar poesia. Por essa razão, longe de ser um meio (por exemplo, um meio de "expressão" ou de "comunicação") para o poeta, a poesia é o seu fim. Dado que o fim subordina os meios, e não vice-versa, o poeta é um servo -um servo voluntário e apaixonado, é verdade, mas um servo- da poesia. Nessa relação, não é ela que se inclina às conveniências dele, mas é ele que deve dobrar-se às exigências e aos caprichos -inclusive aos silêncios- dela.
1.10.10
Giuseppe Ungaretti: "Casa mia" / "Minha casa": trad. Sérgio Wax
Casa mia
Sorpresa
dopo tanto
d'un amore
Credevo di averlo sparpagliato
per il mondo
Minha casa
Depois de tanto tempo
surpresa
dum amor
Achava que o havia espalhado
pelo mundo
UNGARETTI, Giuseppe. A alegria / L'allegria. Edição bilingue. Tradução de Sérgio Wax. Belém: CEJUP, 1992.
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