30.7.09

Alex Varella: "Negra grega" e "Barcelona"

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NEGRA GREGA


Negra negra
Grega grega
de palavras & mercancias
no Porto das Palavras
de Alexandria
beleza é o ser visível
ser é visível
negra grega
da África Clássica
próprio da beleza é o aparecer
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BARCELONA
(para Alex Pessoa)

Barcelona é uma arte
Ora mar Ora cidade
Perdi meu último heterônimo em Barcelona
(Alex Pessoa)
Onde tudo tem dois nomes,
mundo heteronômico!
Barcelona é uma arte
Ora mar
Ora cidade


VARELLA, Alex. Alexandrias. In blog "A cidade sou eu".

29.7.09

Eucanaã Ferraz: Curso no POP: "Bandeira, Drummond, Vinícius, Cabral: Poesia brasileira em quatro tempos"

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Curso iniciando no dia 05 de agosto
Inscrições pelo tel. (21) 2286-3299 ou pelo site
www.polodepensamento.com.br

Propondo como principal exercício a leitura interpretativa de poemas, o curso investigará as principais vertentes, temas e procedimentos formais que definem as obras de quatro grandes poetas: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e João Cabral de Melo Neto. Da vasta fortuna crítica desses autores, serão enfocadas algumas abordagens consideradas essenciais para uma visão de conjunto ou para o entendimento de determinados aspectos.

4 aulas às quartas-feiras, das 19h30 às 21h30

05 de agosto
Manuel Bandeira – Os primeiros livros e a estética neo-simbolista. O diálogo com os vanguardistas de 22, especialmente Mário de Andrade e Oswald de Andrade. A infância como fonte de poesia. A simplicidade e o acabamento formal. A busca do essencial.

12 de agosto
Carlos Drummond de Andrade – Da inadaptação do sujeito poético à dimensão político-social de A rosa do povo. A emoção e seu contraponto: o humour. Minas e a “viagem na família”. Experimentação e metalinguagem. O amor, o erotismo, a grande cidade.

19 de agosto
Vinicius de Moraes – Os primeiros livros: religiosidade e transcendência mística. A busca por uma poesia terrena e solidária. Do verso-livre à metrificação e ao soneto. O amor e a mulher - do poema à cancão. Outros Vinicius: a morte e o grotesco.

26 de agosto
João Cabral de Melo Neto – do surrealismo à engenharia. Lirismo e antilirismo. As relações entre a poesia e a arquitetura moderna: máquinas de comover. Poesia e sociedade. Paisagens: Pernambuco e Sevilha.

Eucanaã Ferraz é professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se doutorou. Organizou, entre outros, de Caetano Veloso, Letra Só (2002) e O mundo não é chato, de Vinicius de Moraes, Poesia completa e prosa (2004) e a antologia Veneno antimonotonia (2005). Também é poeta, e publicou, entre outros títulos, Desassombro (2001), Rua do mundo (2004) e Cinemateca (2008).


POP-Pólo de Pensamento Contemporâneo
Rua Conde Afonso Celso, 103 - Jardim Botânico - CEP 22461-060
Tel. (21) 2286-3299 e 2286-3682

O POP - Polo de Pensamento Contemporâneo é um espaço de estudos, discussão e convívio, onde se realizam cursos, oficinas, palestras e eventos culturais.

Duda Machado: "A um apostador"

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A um apostador


pra mim

o páreo
é dentro

corro
por fora

(aéreo,
atento)

e fim.



MACHADO, Duda "Um outro". In: Crescente. São Paulo: Duas Cidades, 1990.

Poesia em Foco

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27.7.09

Arnaldo Antunes: "Inclassificáveis"

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que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,

não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,

não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol



ANTUNES, Arnaldo. "Inclassificáveis". Letra de canção. In CD O silêncio. Gravadora BMG, 1996.

26.7.09

As raças no caldeirão

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As raças no caldeirão


SOU CONTRA a oficialização de raças no Brasil. Não digo que não haja aqui idiotas que, querendo acreditar na existência de raças humanas, sejam racistas. Mas parece-me inteiramente contraditória a ideia de combater o racismo através justamente do reconhecimento oficial da existência de raças. A República não tem o direito de endossar uma ficção tão retrógrada.

Na maior parte do Brasil, a fusão de diversas "raças" e culturas já há muito progrediu a tal ponto que não é mais sequer concebível -exceto para grupos insignificantes, ou com uma dose ridícula de artificialidade- pretender restaurar efetivamente a putativa pureza racial ou cultural de qualquer um dos seus componentes.

A verdade é que são estonteantes as formas da nossa natureza humana (formas ou cores de corpos, peles, cabelos, olhos etc.), resultantes dos cruzamentos mais improváveis. Pode-se dizer que, aqui, cada ser humano parece resultar de uma combinação singular de características das mais diversas etnias. Longe de significar homogeneização racial, isso sugere que, no limite, cada brasileiro tende a ser a expressão de uma "raça" individual. Esse oxímoro exprime o fato de que, através não da redução, mas da multiplicação das diferenças, entrevê-se no Brasil, a longo prazo, a pulverização -ou melhor, a dissolução- das "raças".

Da mesma maneira, é impossível ignorar que nem as formas da cultura erudita nem as criações mais importantes da cultura popular brasileira se dão como arquétipos imemoriais ou heranças de um passado miticamente remoto. Elas constituem, ao contrário, resultados memoráveis da mediatização recíproca das mais diferentes culturas. Uma grande invenção feito o samba, por exemplo, pode entender-se como uma forma admirável de se conceber criativamente o concubinato de, por um lado, ritmos, ritos, danças, instrumentos, paradigmas musicais etc. de diferentes proveniências africanas com, por outro lado, melodias, harmonias, versos, danças, instrumentos, paradigmas musicais etc. de diferentes proveniências europeias. A realidade do samba aponta para a possibilidade de infinitas outras combinações de elementos de diversas origens.

A biodiversidade, se tomada também em sentido antropológico (e não apenas no que toca à antropologia física mas à cultural), é, de fato, uma das características mais marcantes do Brasil. Ora, como diz a letra de um rock brasileiro, "riquezas são diferenças". Que o converso disso também é verdadeiro, isto é, que diferenças são riquezas, já era considerado evidente por Aristóteles no princípio da "Metafísica", ao explicar que a razão pela qual preferimos a vista a todos os outros sentidos é que ela nos faz conhecer mais "e mostra muitas diferenças".

O mestiço não deve ter a ilusão de que sua cultura autêntica seja diferente daquela em que foi criado. O caráter acidental e contingente de sua configuração racial não pode deixar de lhe revelar o caráter igualmente acidental e contingente de toda relação entre "raça" e cultura.
Para ele, está na cara, de fato, algo que, de direito, ninguém atualmente pode deixar de saber: que os racismos, nacionalismos e fundamentalismos que hoje por todos os continentes tendem a se reafirmar com virulência não passam, em última análise, de tentativas cínicas ou desesperadas de renegar a consciência social -generalizada e aguçada em consequência das recentes revoluções na informática, nas comunicações e nos transportes- do caráter acidental, contingente e relativo de fronteiras, horizontes, crenças, religiões, totens, tabus, costumes, tradições, valores, culturas, etnias, nações, mundos etc.

Devemos nos orgulhar de afirmar o Brasil como o verdadeiro caldeirão, o verdadeiro "melting pot", que os Estados Unidos não chegaram inteiramente a ser, em que se dão tanto a promiscuidade quanto a miscigenação das mais diversas culturas e "raças" -que modificam, relativizam, instrumentalizam e fecundam umas às outras.

Para o brasileiro, a afirmação da acidentalidade, da contingência e da relatividade das identidades positivas e particulares que entram em sua composição se dá como fundamento essencial, necessário e absoluto de sua nacionalidade. Nesse sentido, a originalidade do Brasil -um pouco como a singularidade do Ocidente, para Max Weber- não deve ser buscada na particularidade deste país, mas no seu modo de ser universal.

24.7.09

Regina Vater: "VerVê"

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Inauguração: segunda-feira, 27 de julho das 19 às 22h
Exposição: de 28 de julho a 28 de agosto de 2009
Galeria de Arte Maria de Lourdes Mendes Almeida
Rua Joana Angélica 63, Ipanema, Rio de Janeiro