<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232</atom:id><lastBuildDate>Tue, 22 Dec 2009 07:18:50 +0000</lastBuildDate><title>ACONTECIMENTOS</title><description>BLOG DE ANTONIO CICERO:
poesia, arte, filosofia, crítica, literatura, política</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>537</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-6118581773205826354</guid><pubDate>Sun, 20 Dec 2009 11:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-20T09:53:56.199-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Horácio</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Haroldo de Campos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Carpe diem</category><title>Haroldo de Campos: "horácio contra horácio"</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Haroldo de Campos – que no entanto não só admirava a Ode III.XXX, mas também a traduziu – prefere supor, ao menos no poema "horácio contra horácio", uma contradição entre o &lt;/em&gt;carpe diem &lt;em&gt;e a aspiração da Ode III.XXX. Reconheço tratar-se de uma interpretação perfeitamente legítima, mas, para mim, o que em última análise justifica sua adoção é exatamente o fato de ter resultado nesse magnífico poema:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;horácio contra horácio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ergui mais do que o bronze ou que a pirâmide &lt;br /&gt;ao tempo resistente um monumento&lt;br /&gt;mas gloria-se em vão quem sobre o tempo &lt;br /&gt;elusivo pensou cantar vitória:&lt;br /&gt;não só a estátua de metal corrói-se&lt;br /&gt;também a letra os versos a memória&lt;br /&gt;— quem nunca soube os cantos dos hititas &lt;br /&gt;ou dos etruscos devassou o arcano?&lt;br /&gt;o tempo não se move ou se comove&lt;br /&gt;ao sabor dos humanos vanilóquios —&lt;br /&gt;rosas e vinho — vamos! — celebremos &lt;br /&gt;o instante &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp a ruína &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp a desmemória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAMPOS, Haroldo de. &lt;em&gt;Crisantempo: No espaço curvo nasce um.&lt;/em&gt; São Paulo: Perspectiva, 2004.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-6118581773205826354?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/haroldo-de-campos-horacio-contra_20.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-7703989566975338728</guid><pubDate>Fri, 18 Dec 2009 13:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-20T09:22:52.660-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poesia</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Horácio</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Haroldo de Campos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Carpe diem</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Agora</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Contradição</category><title>Ainda sobre as odes de Horácio</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Ode III.XXX de Horácio, postada na segunda-feira, dia 15, o poeta diz que seus poemas, inclusive, é claro, essa ode mesma, não serão destruídos pela fuga dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na Ode &lt;a href="http://antoniocicero.blogspot.com/2009/05/horacio-ode-i11.html"&gt;I.XI&lt;/a&gt;, que postei em 18/05/2009, e que é a origem do conceito de “carpe diem” (“colhe o dia”), o eu lírico recomenda à sua amante, Leucônoe: “Colhe o dia, minimamente crédula no porvir”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, enquanto em III.XXX ele fala do futuro dos seus poemas, em I.XI ele recomenda ignorar o futuro. Que houvesse uma contradição aqui não seria nenhum problema: um poema pode contradizer o outro, sem que nenhum dos dois sofra o menor arranhão. Se ambos forem bons, então, ao ler o primeiro, concordamos inteiramente com ele; ao ler o segundo, é com este que concordamos inteiramente, sem deixar de continuar a concordar com o primeiro. Ambos podem ser profundamente verdadeiros ou reveladores. Um poema é capaz se contradizer a si próprio e ser uma obra prima: ele pode até ter que se contradizer para vir a ser uma obra prima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, não sei sequer se essas duas odes de Horácio realmente se contradizem. Penso que a concepção da poesia que preside a Ode III.XXX é que, dado que os grandes poemas valem por si, eles são inteiramente indiferentes às contingências do tempo. Em princípio, portanto, não haverá tempo em que já não valham. O que interessa é que eles sempre merecem existir agora: seja quando for agora. Apreciá-los é sempre colher o dia: carpere diem. No fundo, portanto, parece-me não haver contradição entre essas duas odes. Algo nesse sentido manifesta-se no meu poema “História”, do livro “A cidade e os livros”, que se refere diretamente à ode XXX.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;Tudo que há no mundo some:&lt;br /&gt;Babilônia, Tebas, Acra.&lt;br /&gt;Que o mais impecável verso&lt;br /&gt;breve afunda feito o resto&lt;br /&gt;(embora mais lentamente &lt;br /&gt;que o bronze, porque mais leve)&lt;br /&gt;sabe o poeta, e não o ignora&lt;br /&gt;ao querê-lo eterno agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-7703989566975338728?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/ainda-sobre-as-odes-de-horacio.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-5179556409378782880</guid><pubDate>Thu, 17 Dec 2009 00:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-18T11:14:23.106-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pedro Braga Falcão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Horácio</category><title>Sobre a Ode de Horácio postada ontem</title><description>A ode de Horácio que postei ontem é, com razão, considerado um dos maiores poemas líricos de todos os tempos. Horácio diz que seus poemas durarão mais que as pirâmides do Egito e que ele crescerá no louvor dos vindouros. A segunda parte já sabemos ser verdadeira, de modo que, enquanto houver civilização, então, ainda que a erosão causada pela água e pela chuva tenha destruído as pirâmides, as Odes de Horácio – inclusive esta – continuarão de pé. E a verdade é que isso já se sabia na época em que esses poemas foram escritos. Pela evidência da sua deslumbrante beleza, as Odes desde sempre mereceram viver eternamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema, entretanto, pode oferecer algumas dificuldades ao leitor moderno, principalmente por citar pessoas e lugares hoje esquecidos por quase todo o mundo. Pois bem, a edição (da editora Cotovia) da excelente tradução de Pedro Braga Falcão que utilizei – e que recomendo enfaticamente – é aparelhada com notas que indicam o sentido das referências mais importantes. Abaixo, reproduzo as notas referentes à ode III.XXX. Os números à direita correspondem aos versos em que elas ocorrem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 Áquilo: Vento do norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 Libitina: Deusa romana que assistia às cerimónias funerárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 Capitólio.. O Capitólio é, para os Romanos, o símbolo da eternidade de Roma (cf. Vergílio, Eneida IX. 448 e s.): enquanto estiver de pé, Roma sobreviverá. A "Virgem" é a vestal que sobe ao Capitólio para orar pelo bem da cidade; está em silêncio devido à sua solene tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 Áufido: O maior rio da Apúlia (actualmente o rio Ofanto), região onde Horácio nasceu. O poeta subtilmente vaticina que na sua terra será para sempre celebrado,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 Dauno: O mítico fundador da Dáunia (cf. I. 22. 13, n.), mais uma referência à terra natal de Horácio. O rei é "pobre em água" devido à aridez e secura da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 O Primeiro: Horácio foi de facto (exceptuando dois carmina de Catulo, escritos no metro sáfico, nomeadamente o 11 e o 51) o primeiro poeta latino a escrever sistematicamente nos metros da lírica grega eólia, representada por Safo e por Alceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 Melpómene: Esta musa foi por Horácio associada à poesia lírica (cf. I. 24. 3), e não à tragédia, como é costume.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-5179556409378782880?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/sobre-ode-de-horacio-postada-ontem.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-7874441963541293493</guid><pubDate>Tue, 15 Dec 2009 22:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-15T20:48:06.963-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pedro Braga Falcão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Horácio</category><title>Horácio: Ode XXX do livro III: traduzida por Pedro Braga Falcão</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SygRera8pcI/AAAAAAAAARo/HYji7B6YCNQ/s1600-h/Ode+XXX.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SygRera8pcI/AAAAAAAAARo/HYji7B6YCNQ/s400/Ode+XXX.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415597770662520258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto em latim:&lt;br /&gt;HORACE. &lt;em&gt;The Odes&lt;/em&gt;. Edited with introduction, revised text and commentary by Kenneth Quinn. London: MacMillan Education, 1985.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução portuguesa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HORÁCIO. &lt;em&gt;Odes&lt;/em&gt;. Tradução de Pedro Braga Falcão. Lisboa: Cotovia, 2008.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-7874441963541293493?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/horacio-ode-xxx-do-livro-iii-traduzida.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SygRera8pcI/AAAAAAAAARo/HYji7B6YCNQ/s72-c/Ode+XXX.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-9216199352910800852</guid><pubDate>Sun, 13 Dec 2009 18:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-13T16:05:16.729-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poeta</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Deuses</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Heródoto</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Mitos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Paganismo</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Homero</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Portugal</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Fernando Pessoa</category><title>Fernando Pessoa e os mitos</title><description>&lt;em&gt;O seguinte artigo foi publicado sábado, 13 de dezembro, na minha coluna da "Ilustrada", da &lt;/em&gt;Folha de São Paulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa e os mitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O MITO é o nada que é tudo", diz o famoso primeiro verso do poema "Ulisses", do livro "Mensagem", de Fernando Pessoa. Em anotação de 1930 que devia ser o esboço do prefácio para a edição projetada das suas obras, ele diz: "Desejo ser um criador de mitos, que é o mistério mais alto que pode obrar alguém da humanidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa concepção dos mitos como obras parece-me estar de acordo com a concepção homérica. Na cultura oral primária grega, que desconhecia a escrita, "mythos" se opunha a "epos". "Epos" (de onde vem "epopeia", a produção de "epos") é o discurso que se reitera, como as canções, os provérbios, algumas rezas, os epítetos tradicionais dos heróis ou deuses, e cada palavra individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mythos" é, ao contrário, o que jamais se reitera, como uma conversa qualquer, isto é, aquilo que se diz sobre alguma coisa. Assim, o mito de Édipo, por exemplo, é simplesmente o que se diz sobre Édipo. Pois bem, o que é que se diz sobre Édipo? Para nós é principalmente o que os poetas disseram sobre Édipo; em primeiro lugar, é o que os maiores poemas sobre Édipo disseram sobre ele: e esses são as peças de Sófocles; em segundo lugar, é o que os outros, como Freud, disseram principalmente a partir do que Sófocles dissera. Assim também, o mito de Ulisses é principalmente o que dele nos contam os poemas homéricos; o de Hamlet, principalmente o que dele nos conta Shakespeare etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o historiador Heródoto, foram os poemas de Hesíodo e de Homero que criaram "uma teogonia para os helenos e deram as denominações e as honras e distribuíram as artes e indicaram os aspectos dos deuses".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Pessoa tem razão quando, em anotação, de 1918, tendo observado que "a religião cristã é essencialmente dogmática, no sentido de que tem princípios assentes, aos quais o crente tem, dentro de estreitos limites, que subordinar-se”, observa que “no paganismo não é assim. A sua ação imaginativa criadora não se sente presa. Pode inventar um belo mito, que, se na verdade for belo ou insinuador, entrará na religião. Tão humana comunhão com a vida dos deuses não é possível no cristismo. O cristão católico tem a liberdade de inventar aparecimentos de Maria a este ou àquele, mas há severos limites às suas faculdades mitopeicas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dado que o criador de mitos, como mostra Heródoto, é o poeta, então é o poeta que, ao criar mitos, exerce, segundo Pessoa, "o mistério mais alto que pode obrar alguém da humanidade": e é esse poeta que ele pretende ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observo que essa concepção do poeta como criador de mitos está longe de ser trivial em nossa época. Muito mais comum é a contrária, que herdamos do romantismo, mas cuja origem mais remota talvez esteja em Platão. Refiro-me à concepção segundo a qual o mito é um arquétipo imemorial, incriado, que os poetas, por uma espécie de anamnese, recuperam para a comunidade a que pertencem. Para Pessoa, segundo penso, o mito é exatamente o oposto disso: o produto da poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é gratuitamente que Pessoa retoma o mito de Ulisses e sua lendária fundação de Lisboa. Seu Portugal representa o mais alto destino não tanto da Grécia, da Europa ou do Ocidente em particular, mas, no fundo, de todos esses e mais, isto é, o destino do mundo moderno. "A arte portuguesa", diz ele em "Ultimatum e Páginas de Sociologia Política", "será aquela em que a Europa (entendendo por Europa principalmente a Grécia Antiga e o universo inteiro) se mire e se reconheça sem lembrar do espelho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que a verdade profunda do seguinte texto de Pessoa fica mais evidente quando se compreende que a palavra "português" funciona nele como um curinga, podendo ser substituída por "brasileiro", "italiano", "russo" etc.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem, que seja português, pode viver a estreiteza de uma só personalidade, de uma só nação, de uma só fé? Que português verdadeiro pode, por exemplo, viver a estreiteza estéril do catolicismo, quando fora dele há que viver todos os protestantismos, todos os credos orientais, todos os paganismos mortos e vivos, fundindo-os portuguesmente no Paganismo Superior? Não queiramos que fora de nós fique um único deus! Absorvamos os deuses todos! Conquistamos já o Mar: resta que conquistemos o Céu [...]. Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade não pode estar em faltar ainda alguma coisa! Criemos assim o Paganismo Superior, o Politeísmo Supremo! Na eterna mentira de todos os deuses, só os deuses todos são verdade".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-9216199352910800852?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/fernando-pessoa-e-os-mitos.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>14</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-6057993934128706621</guid><pubDate>Sat, 12 Dec 2009 12:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-12T10:55:09.951-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Augusto de Campos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>George Byron</category><title>George Byron: estrofe 17 do canto IX de "Don Juan": tradução de Augusto de Campos</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Don Juan&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto IX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17&lt;br /&gt;Que sais-je?, esse mote de Montaigne&lt;br /&gt;É uma verdade mais do que curial.&lt;br /&gt;É duvidoso tudo o que se ganhe&lt;br /&gt;Por mais que nos pareça natural,&lt;br /&gt;Certeza não existe, tudo é vão e &lt;br /&gt;Fugaz como é a condição mortal.&lt;br /&gt;Tão pouco nós sabemos desta vida&lt;br /&gt;Que a dúvida da dúvida duvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17&lt;br /&gt;'Que sais-je?' was the motto of Montaigne,&lt;br /&gt;As also of the first academicians:&lt;br /&gt;That all is dubious which man may attain,&lt;br /&gt;Was one of their most favourite positions.&lt;br /&gt;There 's no such thing as certainty, that 's plain&lt;br /&gt;As any of Mortality's conditions;&lt;br /&gt;So little do we know what we 're about in&lt;br /&gt;This world, I doubt if doubt itself be doubting.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAMPOS, Augusto de. &lt;em&gt;Byron e Keats. Entreversos.&lt;/em&gt; Campinas: Unicamp, 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-6057993934128706621?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/george-byron-estrofe-17-do-canto-ix-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>15</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-6188620004009994108</guid><pubDate>Thu, 10 Dec 2009 10:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-10T08:55:45.924-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>José Bento</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jaime Gil de Biedma</category><title>Jaime Gil de Biedma: "No volveré a ser joven" / "Não voltarei a ser jovem": tradução de José Bento</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No volveré a ser joven&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que la vida iba en serio&lt;br /&gt;uno lo empieza a comprender más tarde&lt;br /&gt;-- como todos los jóvenes, yo vine&lt;br /&gt;a llevarme la vida por delante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dejar huella quería&lt;br /&gt;y marcharme entre aplausos&lt;br /&gt;envejecer, morir, eran tan sólo&lt;br /&gt;las dimensiones del teatro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero ha pasado el tiempo&lt;br /&gt;y la verdad desagradable asoma:&lt;br /&gt;envejecer, morir,&lt;br /&gt;es el único argumento de la obra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não voltarei a ser jovem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é certo a vida passa&lt;br /&gt;só se começa a compreender mais tarde&lt;br /&gt;– como todos os jovens, decidi&lt;br /&gt;levar a minha vida por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar marca eu queria &lt;br /&gt;e partir entre aplausos&lt;br /&gt;– envelhecer, morrer, eram somente&lt;br /&gt;as dimensões do teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém passou o tempo&lt;br /&gt;e a verdade mais amarga assoma:&lt;br /&gt;envelhecer, morrer,&lt;br /&gt;é o argumento único da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIEDMA, Jaime Gil de. "Poemas póstumos". &lt;em&gt;Antologia poética&lt;/em&gt;. Edição bilingue. Seleção e tradução de José Bento. Lisboa: Cotovia, 2003.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-6188620004009994108?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/jaime-gil-de-biedma-no-volvere-ser.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>13</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-1947599527154034791</guid><pubDate>Tue, 08 Dec 2009 23:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-08T21:44:33.377-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Daniel Maia-Pinto Rodrigues</category><title>Daniel Maia-Pinto Rodrigues: "O meu avô acreditava em cinco coisas"</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu avô acreditava em cinco coisas.&lt;br /&gt;Eu só acredito em duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RODRIGUES, Daniel Maia-Pinto. "O meu avô acreditava em cinco coisas". De &lt;em&gt;Malva 62&lt;/em&gt;, 2005. In: &lt;em&gt;Poemas portugueses. Antologia da poesia portuguesa do século XIII ao século XXI.&lt;/em&gt; Seleção, organização, introdução e notas de Jorge Reis-Sá e Rui Lage. Porto Editora: 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-1947599527154034791?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/daniel-maia-pinto-rodrigues-o-meu-avo.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-3236653419904154270</guid><pubDate>Sun, 06 Dec 2009 17:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-11T15:24:21.047-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Inês Pedrosa</category><title>Inês Pedrosa: "Sexo oral"</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexo oral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro a tua língua molha o meu&lt;br /&gt;coração, num vagar de fera. Estendo&lt;br /&gt;aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre&lt;br /&gt;os copos, que desaparecem. Não há mais&lt;br /&gt;ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora &lt;br /&gt;&amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp[os&lt;br /&gt;pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-&lt;br /&gt;-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo&lt;br /&gt;frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,&lt;br /&gt;fecha-se e abre-se, avançando&lt;br /&gt;por dentro da minha cabeça. As minhas cidades&lt;br /&gt;ruem como rios, correndo para o fundo dos teus &lt;br /&gt;&amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp [olhos.&lt;br /&gt;O tempo estilhaça-se no fogo&lt;br /&gt;preso das nossas retinas. O empregado do bar&lt;br /&gt;retira da mesa o nosso passado e arruma-o na &lt;br /&gt;&amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp [vitrine,&lt;br /&gt;ao lado dos exércitos de chumbo.&lt;br /&gt;Entramos um no outro,&lt;br /&gt;abrindo e fechando as pernas&lt;br /&gt;das palavras, estremecendo no suor dos&lt;br /&gt;olhos abraçados, fazendo sexo&lt;br /&gt;com a lava incandescente dessa revolução&lt;br /&gt;imprevista a que damos o nome de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inês Pedrosa&lt;br /&gt;9 de julho de 2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-3236653419904154270?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/ines-pedrosa-sexo-oral.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-5408584407629370214</guid><pubDate>Fri, 04 Dec 2009 13:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-04T11:50:56.467-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Safo</category><title>Safo: Fragmento 1</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Safo, Fragmento 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afrodite imortal de trono multicor,&lt;br /&gt;filha de Zeus, tecelã de intrigas, suplico-te:&lt;br /&gt;não dobres a sofrimentos e angústias,&lt;br /&gt;senhora, meu coração;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas aproxima-te, se jamais no passado&lt;br /&gt;ouvindo meu grito de longe&lt;br /&gt;atendeste, e deixando o palácio dourado&lt;br /&gt;do teu pai, vieste,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tendo atrelado o carro: trouxeram-te belos&lt;br /&gt;pardais velozes sobre a terra escura,&lt;br /&gt;e, turbilhonando as asas no ar&lt;br /&gt;celeste,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;logo chegaram; e tu, Bem-Aventurada,&lt;br /&gt;com um sorriso no rosto imortal,&lt;br /&gt;perguntaste por que sofro agora e por que&lt;br /&gt;de novo te chamo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o que é que mais almeja&lt;br /&gt;meu louco coração. "Quem, agora&lt;br /&gt;convenço para o teu amor? Quem,&lt;br /&gt;ó Safo, te faz mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, se ela foge, logo perseguirá;&lt;br /&gt;se recusa presentes, presentes oferecerá,&lt;br /&gt;se não ama, logo amará,&lt;br /&gt;mesmo sem querer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem para mim também agora, livra-me&lt;br /&gt;deste sofrimento atroz, realiza tudo o que meu&lt;br /&gt;coração deseja realizar: sê de novo&lt;br /&gt;minha aliada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SxkRUTtT9sI/AAAAAAAAARg/ubENSlYTMGs/s1600-h/fr01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411375467847743170" style="WIDTH: 283px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SxkRUTtT9sI/AAAAAAAAARg/ubENSlYTMGs/s400/fr01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Poetarum Lesbiorum fragmenta&lt;/em&gt;. Lobel, E.; Page, D.L. (Org.). Oxford: Clarendon Press, 1968.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-5408584407629370214?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/12/safo-fragmento-1.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SxkRUTtT9sI/AAAAAAAAARg/ubENSlYTMGs/s72-c/fr01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-1417319550611881927</guid><pubDate>Tue, 01 Dec 2009 01:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-30T23:44:48.642-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Philip Larkin</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Nelson Ascher</category><title>Philip Larkin: "This be the poem" / "Este seja o poema": tradução de Nelson Ascher</title><description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este seja o poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu pai e mãe fodem contigo.&lt;br /&gt;Que não o queiram, tanto faz.&lt;br /&gt;Legam-te cada podre antigo,&lt;br /&gt;além de uns novos, especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de cartola e fraque, outrora,&lt;br /&gt;fodera-os já do mesmo modo,&lt;br /&gt;gente ora austero-piegas,&lt;br /&gt;ora se engalfinhando cega de ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa-se a dor adiante: fossas&lt;br /&gt;num mar que só fica mais fundo.&lt;br /&gt;Dá o fora, pois, tão logo possas&lt;br /&gt;sem pôr nenhum filho no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;This be the verse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;They fuck you up, your mum and dad.&lt;br /&gt;They may not mean to, but they do.&lt;br /&gt;They fill you with the faults they had&lt;br /&gt;And add some extra, just for you.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But they were fucked up in their turn&lt;br /&gt;By fools in old-style hats and coats,&lt;br /&gt;Who half the time were soppy-stern&lt;br /&gt;And half at one another's throats.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Man hands on misery to man.&lt;br /&gt;It deepens like a coastal shelf.&lt;br /&gt;Get out as early as you can,&lt;br /&gt;And don't have any kids yourself.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-1417319550611881927?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/philip-larkin-this-be-poem-este-seja-o.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>15</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-2491085372557856393</guid><pubDate>Sun, 29 Nov 2009 02:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-29T00:33:03.261-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Fanatismo</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Razão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Lei natural</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Natureza</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Barbárie</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Civilização</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Orientação sexual</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ceticismo metódico</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Homofobia</category><title>Sobre a lei contra a homofobia</title><description>&lt;em&gt;O seguinte artigo foi publicado sábado, 28 de novembro, na minha coluna da "Ilustrada", da &lt;/em&gt;Folha de São Paulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a lei contra a homofobia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENCONTRA-SE em tramitação no Senado Federal o projeto de lei (PLC 122/ 2006) que pune a discriminação baseada na orientação sexual ou na identidade de gênero do cidadão. A aprovação dessa lei representará sem dúvida um passo para tornar o Brasil um país mais civilizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que digo "civilizado"? Porque civilizado é quem se opõe à barbárie e a deixa para trás. Ora, o bárbaro é aquele que, guiando-se por preconceitos jamais questionados, não tolera, no universo das possibilidades vitais dele mesmo e dos demais membros da sua comunidade -ou até da humanidade- qualquer comportamento alternativo: aquele que busca impor, a ferro e fogo, a sua maneira de ser a todos os demais, tentando escravizar ou eliminar aqueles que não se conformem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em oposição a isso, civilizado é quem é capaz de fazer uso da razão para criticar todos os preconceitos, inclusive aqueles em que foi criado. No fundo, a civilização é o ceticismo metódico. O civilizado sabe que é por acaso -porque por acaso nasceu neste e não naquele país, nesta e não naquela classe social, nesta e não naquela família- que cada qual tem os hábitos, os valores, as crenças, os preconceitos que tem; sabe, portanto, que nenhum conjunto de preconceitos é, por direito, superior a nenhum outro. Sabendo disso, o civilizado sabe também que o único motivo que pode racionalmente ser invocado para negar a alguém o direito a se comportar de determinada maneira é que tal comportamento feriria os iguais direitos de outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o fato de que uma pessoa manifeste determinada orientação sexual não impede que outras pessoas manifestem outras orientações sexuais ou que exerçam qualquer outro direito legítimo. Consequentemente, trata-se de um direito inquestionável. Ora, a lei em questão tem o sentido de garantir a cada qual o exercício pleno desse direito. Ela visa garantir que a orientação sexual ou a identidade de gênero de uma pessoa não a sujeite -como tão frequentemente ocorre hoje- a sofrer discriminação, agressão verbal, humilhação, violência física ou mesmo assassinato, enquanto seus agressores gozem de impunidade. Nisso reside seu sentido civilizatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a barbárie, na forma, por exemplo, do fanatismo de zelotes ou fundamentalistas religiosos, não deixa de apelar a todo tipo de sofisma para tentar desclassificar esse projeto de lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semelhante sofisma é, por exemplo, a tese de que o sexo não reprodutivo contraria uma pretensa lei natural. Já falei sobre tal "lei" noutro artigo, mas não posso deixar de me repetir neste ponto. É um erro confundir as leis da natureza, que são descritivas, isto é, dizem o que realmente acontece, com as leis humanas, que são prescritivas, isto é, dizem o que deve (ou não deve) ser feito. A lei da gravidade, por exemplo, não diz que todos os corpos que têm massa devem se atrair de determinado modo e sim que se atraem desse modo. Se for descoberto que determinados corpos têm massa e, no entanto, não se atraem do modo previsto, não serão esses corpos que estarão errados, mas a lei da gravidade. Assim também, se uma "lei natural" diz que os indivíduos do mesmo sexo não sentem atração erótica uns pelos outros, basta abrir os olhos para ver que essa "lei" está errada, ou melhor, não é lei, não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, tanto a física contemporânea quanto a lei da evolução das espécies já mostraram que a natureza está em constante mutação. O ser humano mesmo talvez seja a mais radical dessas mutações, de modo que não apenas a espécie humana mas cada indivíduo humano é quase infinitamente capaz de mudar a si próprio, capaz de experimentar o que nunca antes se experimentou, capaz de criar o que nunca antes existiu. Substituindo o instinto pela experimentação, o ser humano já há muito foi capaz de separar radicalmente sexo de reprodução. Diante de tudo isso, a invocação de uma "lei natural" para tentar tolher o seu comportamento é simplesmente ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, é falso que a lei em questão restringiria a liberdade de expressão simplesmente porque proibiria praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito contra orientação sexual ou identidade de gênero. Afinal, a lei 7.716, no seu artigo 20º, já faz exatamente isso em relação a raça, cor, etnia, religião e procedência nacional, e não é considerada prejudicial à liberdade de expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperemos que o Senado Federal, rejeitando o fanatismo e a barbárie, escolha para o Brasil o caminho da razão e da civilização.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-2491085372557856393?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/sobre-lei-contra-homofobia.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>20</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-6010941123054832176</guid><pubDate>Sat, 28 Nov 2009 02:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-28T00:52:01.452-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Armando Freitas Filho</category><title>Armando Freitas Filho: "Por esta fresta te espreito"</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SxCQQk9cmkI/AAAAAAAAARY/91LJ8kqTLaA/s1600/Fresta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408981766945675842" style="WIDTH: 283px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SxCQQk9cmkI/AAAAAAAAARY/91LJ8kqTLaA/s400/Fresta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;FREITAS FILHO, Armando. &lt;em&gt;Mademoiselle Furta-Cor. &lt;/em&gt;Oito poemas eróticos ilustrados por Rubens Gerchman. Florianópolis: Noa Noa, 1977.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-6010941123054832176?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/armando-freitas-filho-por-esta-fresta_28.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-deMAVHkwdo/SxCQQk9cmkI/AAAAAAAAARY/91LJ8kqTLaA/s72-c/Fresta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-57450583832899690</guid><pubDate>Fri, 27 Nov 2009 12:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-27T10:56:23.448-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Crítica</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Lula</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Caetano Veloso</category><title>Caetano Veloso: trecho de entrevista</title><description>&lt;em&gt;A julgar pelo ódio que se manifestou em alguns dos comentários (que não publiquei por considerá-los ofensivos) ao artigo do Ferreria Gullar que eu aqui postara na segunda-feira, Caetano Veloso tem razão no seguinte trecho da entrevista que deu a&lt;/em&gt; O Globo &lt;em&gt;na quinta-feira, 26:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As críticas não o incomodam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAETANO: Eu não me incomodo, por exemplo, que esteja todo mundo me xingando porque eu disse que Lula fala como um analfabeto, como se fosse uma novidade. Não me incomodo que um monte de gente esteja me xingando, porque eu não quero a aprovação de todo mundo. Eu acho que querer a aprovação de todo mundo é péssimo. Isso é um problema. Eu acho ruim, no Brasil hoje, ninguém poder dizer nenhuma palavra que pareça ser antipática, crítica ou hostil a Lula. Por que não pode? É muito ruim, isso. Isso é um projeto que aconteceu na União Soviética, com Stálin, na China, com Mao Tsé-Tung, acontece ainda em Cuba, com Fidel. Não se pode dizer, só se pode adular o líder. Isso para mim é o que há de pior. Nesse ponto, eu nem me incomodo de o jornal ter distorcido o que eu disse, botando, na primeira página, como se eu tivesse querido agredir o Lula e compará-lo com Marina. Eu estava comparando Marina com Lula e com Obama. Como Lula, ela é de origem humilde etc; como Obama - e diferentemente de Lula -, ela escreve bem, fala bem. Lula, de fato, usa metáforas cafonas, linguagem grosseira e erra a gramática do português, a norma culta. Todo mundo sabe que é assim. Os linguistas aplaudem, o povo acha bom, eu também acho bom, eu votei em Lula chorando, para se eleger - não para se reeleger. Eu chorei dentro da cabine. Chorei de emoção. Pode ser que eu chore quando vir esse filme, porque eu chorei vendo "2 filhos de Francisco" e possivelmente chorarei vendo "Lula, o filho do Brasil". Mas talvez não chore tanto quanto chorei no dia em que votei em Lula para presidente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-57450583832899690?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/caetano-veloso-trecho-de-entrevista.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>10</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-856651250825912813</guid><pubDate>Thu, 26 Nov 2009 19:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-26T17:22:56.085-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Camilo Pessanha</category><title>Camilo Pessanha: "Inscrição"</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inscrição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi a luz em um país perdido.&lt;br /&gt;A minha alma é lânguida e inerme.&lt;br /&gt;Ó! Quem pudesse deslizar sem ruído!&lt;br /&gt;No chão sumir-se, como faz um verme...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PESSANHA, Camilo. &lt;em&gt;Clepsidra&lt;/em&gt;. Estabelecimento de texto, introdução e notas por Paulo Franchetti. Lisboa: Relógio d'Água, 1995.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-856651250825912813?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/camilo-pessanha-inscricao.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-104878740531035285</guid><pubDate>Tue, 24 Nov 2009 02:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-24T00:54:39.820-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Nelson Ascher</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Rainer Maria Rilke</category><title>Rainer Maria Rilke: "Herbsttag" / Tradução de Nelson Ascher: "Dia de outono"</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sou grato a Nelson Ascher por me ter autorizado a postar aqui a sua belíssima tradução inédita da obra-prima de Rilke, "Herbsttag": &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia de outono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor, foi um verão imenso: é hora.&lt;br /&gt;Estende as tuas sombras nos relógios&lt;br /&gt;de sol e solta os ventos prado afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instiga a sazonarem, com dois dias&lt;br /&gt;a mais de sul, as frutas que, tardias,&lt;br /&gt;conduzes rumo à plenitude, e apura,&lt;br /&gt;no vinho denso, a última doçura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não tem lar já não terá; quem mora&lt;br /&gt;sozinho há de velar e ler sozinho,&lt;br /&gt;escrever longas cartas e, a caminho&lt;br /&gt;de nada, há de trilhar ruas agora,&lt;br /&gt;enquanto as folhas caem em torvelinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herbsttag&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Herr: es ist Zeit. Der Sommer war sehr groß. &lt;br /&gt;Leg deinen Schatten auf die Sonnenuhren, &lt;br /&gt;und auf den Fluren laß die Winde los. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Befiel den letzten Früchten voll zu sein; &lt;br /&gt;gib ihnen noch zwei südlichere Tage, &lt;br /&gt;dränge sie zur Vollendung hin und jage &lt;br /&gt;die letzte Süße in den schweren Wein. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wer jetzt kein Haus hat, baut sich keines mehr. &lt;br /&gt;Wer jetzt allein ist, wird es lange bleiben, &lt;br /&gt;wird wachen, lesen, lange Briefe schreiben &lt;br /&gt;und wird in den Alleen hin und her &lt;br /&gt;unruhig wandern, wenn die Blätter treiben.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-104878740531035285?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/rainer-maria-rilke-herbsttag-traducao.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>10</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-3217120007358122621</guid><pubDate>Sun, 22 Nov 2009 02:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-22T00:46:50.352-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Carlos Alberto Machado</category><title>Carlos Alberto Machado: "Achei no lixo..."</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei no lixo um velho caderno de significados&lt;br /&gt;sem nome e com todas as páginas em branco&lt;br /&gt;ando agora a preenchê-lo com as minhas dúvidas&lt;br /&gt;por exemplo dor alegria distracção partilha dádiva&lt;br /&gt;ou com respostas para as perguntas ainda por fazer&lt;br /&gt;por exemplo dor alegria distracção partilha dádiva&lt;br /&gt;logo que esteja completamente preenchido devolvo-o&lt;br /&gt;ao lixo de onde o trouxe com pena de quem o encontrar&lt;br /&gt;velho e usado e com todas as páginas em branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MACHADO, Carlos Alberto. Talismã. Lisboa: A&amp;amp;A, 2004.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-3217120007358122621?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/carlos-alberto-machado-achei-no-lixo.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-8223909261011460512</guid><pubDate>Thu, 19 Nov 2009 19:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-19T17:39:34.129-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jorge Luis Borges</category><title>Jorge Luis Borges: "Los justos"</title><description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los justos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un hombre que cultiva su jardín, como quería Voltaire.&lt;br /&gt;El que agradece que en la tierra haya música.&lt;br /&gt;El que descubre con placer una etimología.&lt;br /&gt;Dos empleados que en un café del Sur juegan un silencioso ajedrez.&lt;br /&gt;El ceramista que premedita un color y una forma.&lt;br /&gt;El tipógrafo que compone bien esta página, que tal vez no le agrada.&lt;br /&gt;Una mujer y un hombre que leen los tercetos finales de cierto canto.&lt;br /&gt;El que acaricia a un animal dormido.&lt;br /&gt;El que justifica o quiere justificar un mal que le han hecho.&lt;br /&gt;El que agradece que en la tierra haya Stevenson.&lt;br /&gt;El que prefiere que los otros tengan razón.&lt;br /&gt;Esas personas, que se ignoran, están salvando el mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os justos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem que cultiva seu jardim, como queria Voltaire.&lt;br /&gt;O que agradece que na terra haja música.&lt;br /&gt;O que descobre com prazer uma etimologia.&lt;br /&gt;Dois empregados que num café do Sur jogam um silencioso xadrez.&lt;br /&gt;O ceramista que premedita uma cor e uma forma.&lt;br /&gt;O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.&lt;br /&gt;Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.&lt;br /&gt;O que acaricia um animal adormecido.&lt;br /&gt;O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.&lt;br /&gt;O que agradece que na terra haja Stevenson.&lt;br /&gt;O que prefere que os outros tenham razão.&lt;br /&gt;Essas pessoas, que se ignoram, estão salvando o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BORGES, Jorge Luís. "La cifra". &lt;em&gt;Obras completas&lt;/em&gt; II. Buenos Aires: Emecé, 1989.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-8223909261011460512?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/jorge-luis-borges-los-justos.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>14</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-8901865296736381130</guid><pubDate>Wed, 18 Nov 2009 11:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-18T09:46:03.087-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ferreira Gullar</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>PT</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Hugo Chávez</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pelegos</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Lula</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Dilma</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>José Dirceu</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Fernando Henrique Cardoso</category><title>Ferreira Gullar: "Retrocesso à vista"</title><description>&lt;em&gt;Recomendo ao leitor que, pondo de lado os seus eventuais preconceitos, reflita sobriamente sobre o importante artigo de Ferreira Gullar abaixo reproduzido, que foi originalmente publicado domingo, 15 de novembro, na "Ilustrada", da &lt;/em&gt;Folha de São Paulo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retrocesso à vista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O FIM DA utopia marxista, que apostava na derrota do capitalismo, deu lugar, na América Latina, ao neopopulismo que, fazendo-se passar por socialista, explora, em vez da contradição classe operária versus burguesia, a oposição entre pobres e ricos. Se, no caso anterior, os sindicatos funcionavam como instrumento de organização e mobilização do operariado para a tomada revolucionária do poder, agora constituem uma burocracia de neopelegos, que passaram a ocupar posições estratégicas no aparelho de Estado e na máquina política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, pressionam o governo e os patrões para que façam pequenas concessões aos trabalhadores, com a condição de mantê-los quietos, enquanto eles, os neopelegos, enriquecem a se fortalecem politicamente. A ascensão de Lula à Presidência da República foi resultado desse jogo e, ao mesmo tempo, um salto qualitativo para a elite sindicalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As consequências disso para a democracia brasileira podem ser as mais desastrosas, como procurou mostrar Fernando Henrique Cardoso, num artigo recente, intitulado "Para onde vamos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O neopopulismo nada tem de revolucionário, como alardeia Hugo Chávez, travestido de líder esquerdista, mas que, na verdade, se apoia no voto do venezuelano pobre. Sustentado pelos vultosos rendimentos do petróleo, mantém programas sociais assistencialistas, que lhe garantem vasta popularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparece, diante do povão desinformado, como seu providencial protetor, que o defende de um lobo mau chamado Estados Unidos. Seu verdadeiro projeto é manter-se indefinidamente no poder e, para consegui-lo, fez o Congresso aprovar a reeleição ilimitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula tentou seguir o mesmo caminho, mas teve sua pretensão rejeitada numa pesquisa de opinião. Precavido, mudou de tática e terminou adotando a candidatura de Dilma como a solução possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Invenção sua, se eleita, ela terá que fazer dele seu sucessor em 2014, e, assim, caso isso ocorra, teríamos mais oito anos de Lula na Presidência da República, o que somaria, no total, 20 anos de lulismo. Ou mais, muito mais, porque pode não parar aí, já que, àquela altura, as bases do neopeleguismo e do neopopulismo estariam amplamente assentadas em todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ameaça é que, se já agora ele se rebela contra a ação fiscalizadora do Tribunal de Contas da União e pretende calar a imprensa, ou seja, não admite que ninguém critique ou cerceie suas decisões de governo, imaginem o que não fará durante tantos anos no poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história tanto anda para frente como pode andar para trás. O propósito de, chegado ao poder, não sair mais, faz parte da ideologia petista, como deixou claro José Dirceu, em visita a Madri, logo após a posse de Lula, em 2003, ao afirmar que o projeto deles era ficar 20 anos no poder. Sim, porque, ao contrário dos outros partidos "burgueses", o partido dito revolucionário vem para salvar o povo e mudar o rumo da história. Logo, não pode se submeter às regras democráticas da alternância no poder. Se é verdade que, a esta altura, o petismo já abriu mão do revolucionarismo, não admite perder as posições conquistadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula, muito esperto, logo compreendeu que o Brasil não é a Venezuela. Sabe que, embora tenha maioria no Congresso, este jamais lhe concederia um terceiro mandato e muito menos a possibilidade de reeleição ilimitada. Por isso, adotou a tática de conseguir um mandato tampão para Dilma, enquanto, às carreiras, procura implantar o PAC e aparecer, diante da nação, como um presidente empreendedor, que visa elevar o país à condição de grande potência. Assim age Chávez e assim agiu nossa ditadura militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fórmula é sempre aquela: inimigo dos poderosos e amigo dos pobres, defensor dos negros e mulatos, inimigo dos brancos de olhos azuis. Isso transparece, a todo momento, em suas declarações e discursos. Não faz muito tempo, falando aos catadores de lixo, criticou os ricos que, deliberadamente, sujam a cidade para que os lixeiros, humilhados por eles, a limpem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um presidente da República que, sem qualquer escrúpulo, faz questão de instigar ressentimentos e conflitos entre os cidadãos, jogar uns contra os outros. Isso no discurso, porque, de fato, usa a máquina do Estado para favorecer grandes empresas nacionais e estrangeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo de Fernando Henrique Cardoso chamou atenção para o perigo que o país corre. Em vez de desautorizá-lo, os formadores de opinião deveriam preocupar-se com o interesse maior da sociedade. É de se esperar, também, que Serra e Aécio assumam a responsabilidade que lhes cabe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-8901865296736381130?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/ferreira-gullar-retrocesso-vista.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>27</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-2213846140060662827</guid><pubDate>Tue, 17 Nov 2009 11:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-17T09:27:43.515-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Weydson Barros Leal</category><title>Weydson Barros Leal: "A praia"</title><description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A praia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo, o amor era um rio vertical&lt;br /&gt;quando o corpo o bebia como uma boca marinha.&lt;br /&gt;Os relógios não sabiam que suas espadas&lt;br /&gt;contavam os mortos de cada farol, de cada&lt;br /&gt;promessa, e que o tempo era só essa miragem -&lt;br /&gt;a sede adiada da verdade. Ela perguntava:&lt;br /&gt;"Você me ama ainda?", e tudo tremia&lt;br /&gt;como um mapa de areia num barco de sal,&lt;br /&gt;como um fogo esquecido na gruta do mar.&lt;br /&gt;Às vezes, dizia: "Você nunca amou ninguém,&lt;br /&gt;não sabe que o amor é uma coisa viva..."&lt;br /&gt;Mas não via que o amor era o naufrágio&lt;br /&gt;que alcançara a mesma praia&lt;br /&gt;onde agora explodia a tempestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEAL, Weydson Barros. &lt;em&gt;A quarta cruz. &lt;/em&gt;Rio de Janeiro: Topbooks, 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-2213846140060662827?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/weydson-barros-leal-praia.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-3354929390840864034</guid><pubDate>Mon, 16 Nov 2009 13:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-16T11:30:53.907-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Gay</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Homofobia</category><title>Lei contra a homofobia</title><description>&lt;em&gt;Reproduzo abaixo uma mensagem que recebi por e-mail e que considero importante. Sugiro aos visitantes deste blog que votem contra a homofobia, e que copiem a mensagem abaixo e a distribuam por e-mails aos seus conhecidos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O site do senado lançou uma enquete sobre o projeto de Lei que pune a homofobia como crime e estamos PERDENDO.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É decepcionante chegar lá e ver que os que votam contra a lei estão ganhando nesse momento com gritantes 53%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se todo simpatizante contra a homofobia fizer sua parte, temos como vencer esta pequena batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma forma de mostrar aos políticos como a aprovação desta lei é &lt;a title="blocked::http://paradalesbica.com.br/2009/11/lei-contra-a-homofobia-isso-sim-e-problema-seu/" href="http://paradalesbica.com.br/2009/11/lei-contra-a-homofobia-isso-sim-e-problema-seu/" target="_blank" rel="nofollow"&gt;importante&lt;/a&gt;. &lt;strong&gt;Convoque todas as &lt;/strong&gt;&lt;a title="blocked::http://paradalesbica.com.br/2009/11/lei-contra-a-homofobia-isso-sim-e-problema-seu/" href="http://paradalesbica.com.br/2009/11/lei-contra-a-homofobia-isso-sim-e-problema-seu/" target="_blank" rel="nofollow"&gt;&lt;strong&gt;amigos&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;, todos os parentes, todo mundo que você sabe que tem um mínimo de consciência, o mínimo de compaixão, o mínimo de bom senso e peça para votarem o máximo que puderem.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acesse agora o site do Senado clicando aqui:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="blocked::http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=" href="http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0" target="_blank" rel="nofollow"&gt;http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desça a página e procure no lado direito pela opção: Enquete e VOTE EM SIM, que significa que você é a favor da aprovação da lei.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos deixar a homofobia vencer mais esta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vote, divulgue e LUTE, porque isso sim é um verdadeiro problema SEU e de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece pequeno, mas é a ponta de um grande ICEBERG!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe a nós reverter esse resultado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-3354929390840864034?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/lei-contra-homofobia.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-885925196951642636</guid><pubDate>Sun, 15 Nov 2009 11:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-15T09:31:14.144-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Verdade</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>construcionismo</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ramsés II</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciência</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Philippe Descola</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Bruno Latour</category><title>A tuberculose do faraó</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O seguinte artigo foi publicado na minha coluna da "Ilustrada", da&lt;/em&gt; Folha de São Paulo, &lt;em&gt;sábado, 14 de novembro de 2009:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tuberculose do faraó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POR OCASIÃO da morte de Lévi-Strauss, o antropólogo francês Philippe Descola, interrogado sobre "quem seriam os gênios de hoje", citou, em primeiro lugar, Bruno Latour. Mal pude crer que estava lendo aquilo. A primeira coisa que me vem à mente, sempre que leio ou ouço o nome de Latour, é o título do excelente livro de Alan Sokal e Jean Bricmont, "Imposturas Intelectuais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, embora ele tenha merecido todo um capítulo nessa obra, esse título me vem à cabeça por outra razão: é que, anos atrás, caiu-me nas mãos um exemplar de um dos mais ridículos livros que já li: o "Jamais Fomos Modernos (Ensaio de Antropologia Simétrica)", de Latour, do qual me poupo -e ao leitor- de falar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria Descola sendo sarcástico? Não. Ele pretendia estar sério. Isso me pareceu lamentável, tratando-se do diretor do Laboratório de Antropologia Social do Collège de France. Entretanto, lembrei-me de duas teses de Latour que, de tão grotescas, chegam até a ser engraçadas. Uma é sobre os dinossauros; a outra, sobre Ramsés 2º. O leitor talvez já as conheça, pois não são novas. Mas, na dúvida, vou contar ao menos a que fala de Ramsés 2º. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, observo que Latour é frequentemente classificado de "construtivista -ou melhor, construcionista- social". Isso não é surpreendente, já que seu livro "Vida de Laboratório", de 1979, escrito em parceria com o sociólogo inglês Steve Woolgar, tem como subtítulo "A Construção Social dos Fatos Científicos". Em 1986, porém, o subtítulo foi removido e Latour passou a recusar essa classificação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, sua recusa diz mais respeito ao adjetivo "social" do que ao substantivo "construção", pois ele continua acreditando que os fatos científicos são construídos. Para o idealista Latour, em última análise, a natureza e a realidade são aquilo que cientistas decidem que sejam, e não algo que preexista à investigação científica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos à história. Em 1976, a múmia de Ramsés 2º, acometida por fungos e mofo, foi enviada à França para ser tratada. As fotos de sua chegada foram publicadas pela revista "Paris-Match", com a legenda: "Nossos cientistas socorrem Ramsés 2º, que adoeceu 3.000 anos após sua morte". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler essa legenda, Latour precipitadamente pensou que ela se referia a outro fato: o de que os cientistas, tendo examinado os restos mortais do faraó, haviam anunciado a descoberta de que ele morrera de tuberculose. "Profundo filósofo", escreveu então, "aquele que redigiu essa legenda admirável". Por que "profundo filósofo"? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, ao contrário dos seres humanos que se guiam pelo bom senso, o autor dessa legenda teria "compreendido" que Ramsés 2º não poderia, no ano 1213 a.C., ter morrido de um bacilo que foi descoberto por Robert Koch somente em 1882... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o bom senso "grosseiro", é claro que o bacilo já existia muitíssimo antes de Koch o descobrir. Já para o "sutil" Latour, "antes de Koch, o bacilo não tem existência real. [...] Os pesquisadores não se contentam com "des-cobrir': eles produzem, fabricam, constroem". Assim, o bacilo da tuberculose foi "construído" na época moderna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, então, como é que ele pode ter causado a morte do faraó, em 1213 a.C.? "Afirmar, sem outras formalidades, que o faraó morreu de tuberculose", diz Latour, "significa cometer o pecado cardeal do historiador, o do anacronismo". Se fosse assim, seria anacronismo afirmar, "sem outras formalidades", que a lei da relatividade tivesse vigência antes de Einstein a demonstrar; ou que a lei da evolução das espécies vigorasse antes de ser enunciada por Darwin. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quais são as "outras formalidades"? Suponho que consistam em fazer a ressalva de que, para nós, que vivemos depois de 1976, o faraó morreu de tuberculose, mas não para quem viveu antes de 1976. Ora, se isso quer dizer simplesmente que antes de 1976 não sabíamos que o faraó em 1213 a.C. morreu de tuberculose, então é uma verdade: mas não passa precisamente da verdade trivial que o bom senso já conhecia, de modo que, nesse caso, Latour nada diz de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, por outro lado, quer dizer que, antes de 1976, o faraó, em 1213 a.C., não morrera de tuberculose, então é um disparate: é "nonsense", e é sem dúvida o que ele pensa, ao afirmar que, "antes de Koch, o bacilo não tem existência real". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas devemos reconhecer ao menos um mérito ao artigo de Latour sobre Ramsés 2º: ele inadvertidamente efetua uma redução ao absurdo não só das suas próprias teses mas de todo o construcionismo contemporâneo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-885925196951642636?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/tuberculose-do-farao.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-214993011101029295</guid><pubDate>Sat, 14 Nov 2009 02:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-16T16:30:38.110-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Concisão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Blaise Pascal</category><title>Blaise Pascal: da 16ª carta provincial</title><description>Pascal escreveu, ao final de sua 16ª &lt;em&gt;Carta provincial&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je n'ai fait celle-ci plus longue que parce que je n'ai pas eu le loisir de la faire plus courte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz esta mais longa somente porque não tive o lazer para fazê-la mais curta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PASCAL, Blaise. &lt;em&gt;Les lettres provinciales&lt;/em&gt;. Seizième lettre. Paris: Armand Colin, 1962.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-214993011101029295?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/blaise-pascal-da-16-carta-provincial.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-8063620059302399969</guid><pubDate>Thu, 12 Nov 2009 03:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-12T01:10:48.314-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Poema</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Gastão Cruz</category><title>Gastão Cruz: "Palavras"</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras não existem&lt;br /&gt;fora da nossa voz as&lt;br /&gt;palavras não assistem&lt;br /&gt;palavras somos nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRUZ, Gastão. "A doença". &lt;em&gt;Os poemas&lt;/em&gt;. Lisboa: Assírio &amp; Alvim, 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-8063620059302399969?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/gastao-cruz-palavras.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4784026675001070232.post-5099641414037456489</guid><pubDate>Wed, 11 Nov 2009 10:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-12T00:53:02.268-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Nonato Gurgel</category><title>Blog do Nonato Gurgel</title><description>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, visitando o excelente blog do meu amigo Nonato Gurgel, que é professor de literatura na UFRRJ, tive a grata surpresa de ver publicada uma entrevista que ele fez comigo alguns anos atrás, precedida de uma generosa introdução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não recomendo o blog do Nonato apenas pela entrevista. Há muita coisa boa por lá. O blog se chama "Arquivo de Formas". O endereço é: &lt;a href="http://arquivodeformas.blogspot.com/"&gt;http://arquivodeformas.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4784026675001070232-5099641414037456489?l=antoniocicero.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><enclosure type='' url='http://arquivodeformas.blogspot.com/' length='0'/><link>http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/blog-do-nonato-gurgel.html</link><author>noreply@blogger.com (Antonio Cicero)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item></channel></rss>