21.2.12

Cecília Meireles: "Poema a Antonio Machado"




Poema a Antonio Machado

Contigo, Antonio, Antonio Machado,
contigo quisera passear,
por manhã de serra, por noite de rio,
por nascer de luar.

Palavras calmas que fosses dizendo
seriam folhas movidas no ar.
Tu eras a árvore, a árvore, Antonio,
com sua alma preliminar.

Palavras tristes que não me dissesses,
sentidas ao vento, por outro lugar,
os deuses dos campos as recolheriam,
para as transformar.

Tu eras a árvore andando na terra,
com raízes vivas, pássaros a cantar.
Contigo, contigo, Antonio Machado
fora bom passear.

Por montes e vales ir andando, andando,
e entre caçadores que vão a caçar,
ouvir teus lebréus perseguindo a lua,
corça verde, no ar.



MEIRELES, Cecília. "Mar absoluto". In:_____Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

7 comentários:

Alcione disse...

Estrela flutuante
De amante
Em meio ao firmamento
Dá-me a doçura de um momento
Na corredeira
De um dia simples
Colhendo flores
Andando ao vento
Falando de amores
Ou sobre o tempo
E a alegria de ver deste galho
Brotar uma flor
E dos teus olhos lindos, o amor.

carmen silvia presotto disse...

E com Cecília , Antonio Machado, canto em seus cantares"

"...caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar..."

Beijos, bom retorno de Carnaval Poeta e gracias por toda poesia que aqui encontramos.

Carmen.

Antonio Cicero disse...

Carmen,

gosto tanto desse poema que você cita que já o postei no blog, em 2010. Veja: http://antoniocicero.blogspot.com/2010/08/antonio-machado-poema-xxx-de-proverbios.html.

Beijos

carmen silvia presotto disse...

Sim, já li por aqui e amo este Cantares.

Bjos.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

belo! Grato por compartilhar!


Abraço forte,
Adriano Nunes

Jefferson Bessa disse...

caminhar
passar passear com esses poetas
Adorei.
Abraço
Jefferson

Ruy Lozano disse...

O poema lembrou-me de Proust de desse trecho, bastante representativo da Recherche:
"...uma pessoa não está, como eu supunha, nítida e imóvel diante de nossos olhos, com suas qualidades, seus defeitos, seus projetos, suas intenções para conosco (como um jardim que contemplamos, com todos os seus canteiros, através de um gradil), mas é uma sombra em que não podemos jamais penetrar, para a qual não existe conhecimento direto, a cujo respeito formamos inúmeras crenças, com o auxílio de palavras e até de atos, palavras e atos que só nos fornecem informações insuficientes e aliás contraditórias, uma sombra onde podemos imaginar, com a mesma verossimilhança, que brilham o ódio e o amor."
PROUST, Marcel. O caminho de Guermantes. São Paulo: Globo, 1990, p.60.